sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Cabeça Chata



Quem é o cabeça chata? Indaguei-me ao ver alguns amigos blogueiros indignados com a condenação da estudante  de direito Mayara Petruso, por postar ofensas contra os nordestinos. 

Programa de rádio na Paraíba 
Tive a oportunidade de fazer amigos nordestinos e que trabalhavam bastante. A herança nordestina de pobreza não tem a ver com algum aspecto biológico (mistura de raças e a acentuação da cabeça, chamada de chata em algumas regiões do Nordeste, principalmente Ceará), ou alguma deficiência social. Claro, a estudando agiu imprudentemente. Nenhum juiz condenaria tão rápido alguém que mata os pais, por exemplo, ou atira numa escola. 

A repercussão do "crime hediondo" causou um frisson nos mais animados nordestinos. Acompanhei o caso na época, através do meu twitter. Vi "gritos" inflamados de ódio dos nordestinos; sim, desses mesmos que foram feitos de vítimas. Havia xingamentos da pior espécie. Senti medo ao ver os terríveis comentários contra a imprudente moça, que tentava se defender com mais nescidade do que um argumento tipo "desculpe, fiz cagada". Claro, defendendo um tucano, qualquer um pode se equivocar e ainda cometer atitudes estúpidas (srsrsrs). 

Em palestra hoje, ouvi de um médico experiente a seguinte frase: "Nesse país, o abusador sai da cadeia rapidinho. O pedófilo também. Há leis ótimas, mas não são cumpridas e o brasileiro não tá nem ai pra isso". Quem é a paulistana? A moça das atitudes estúpidas. Ela não pode se defender, mas representa um estado importante, construído com o suor de muitos nordestinos. Sua estupidez não é hedionda, mas categoricamente adolescente. Mais do que apenas representar as palavras de uma estudante, representa uma geração que põe o nome "respeito" guela abaixo. Li vários nordestinos inflamados, quando, na verdade, são os mesmos que se "desinflamam" com os coronéis que comandam o Maranhão, por exemplo. Por lá, sarneys são uma espécie de panda: bonitinho, indefeso e admirado. 

Quem é o cabeça chata? Aquele cidadão do nordeste sofrido, pobre, sendo a chacota "paraíba" dos cariocas e o baiano vendedor de rede dos paulistas. Aquele que sai vendendo produtos chineses, amarelos,  do jeitinho que nordestino adora tirar sarro. É um povo batalhador. É também um povo com dor. Dor de ter vindo pra "sumpaulo" achar emprego e receber preconceito. Claro, a dor do preconceito dói menos que a economia dos altíssimos impostos, ou do que bilhões em corrupção, do abuso de crianças que são feitas de prostitutas; do prato de comida ganho pela facilidade das meninas que dormem com os caminhoneiros na beira de estrada. 

Mudar dói. Dói porque é hediondo. É hediondo porque é mais fácil ser vitimista. A vitimização é melhor do que a mudança. Mudança? Pra quê? Mayara é apenas uma gota no oceano da vitimização. Ela representou a estupidez em pessoa. Para que mudar, se o melhor neste país é ser vítima quando se tem tanta bolsa pra ajudar. De um lado, Maryara, a paulistana da classe média do estado rico, fazendo uma faculdade importante para ser bacharel, e pegar junto com a carteira da OAB o seu atestado de estupidez. De outro, o cabeça chata; sim, aquele que acaba sempre sendo a chacota. Aquele que sempre chora quando é a vítima. Aquele que acha que ser cabeça chata é feio, por fugir dos padrões da paulistana de classe média, perfeita, que contribui pra feiura nordestina. Esse, que vê o seu povo como chacota e diz: "somos sim! Somos o povo que não merece lutar, porque agora é hediondo. A opinião é hedionda. A burrice também. A estupidez, "nem se fala". Somos o povo que quer ver o sol das manhãs frias de sumpaulo, sendo a vítima perfeita para a inércia. Não quero mudar meu país - diz ele, mas mandar dinheiro para o vitimismo".
É mais fácil gritar quando se tem dor, do que ir buscar remédio para quando a ferida tá aberta. O grito mais forte ecoa dentro das cartilhas esquerdistas, soando como luva no coração da ferido, vitimizando cada grito de um idiota qualquer que aparece na internet e fala meia dúzia de bobagens. Tirar o pus, estancar o sangue, limpar o ferimento demoram. O governo diz todo dia: "você não é gente. Você é um cabeça chata estúpido, que serve apenas como minha marionete da vitimização". Acho que é hora de mudar...












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