sexta-feira, 4 de maio de 2012

Os anos de Chumbo


01/05//2012

Com que autoridade moral, pois, ainda erguem seu dedo acusador contra os “filhotes da ditadura”? Malgrado a força intrínseca desses fatos e números, a malícia esquerdista poderá tentar neutralizá-los alegando que saem da boca de um anticomunista. Mas seria inverter causa e efeito. Não penso essas coisas por ser anticomunista: tornei-me anticomunista porque me dei conta dessas coisas.

OLAVO DE CARVALHO

Filhotes do genocídio, Época, 02 de junho de 2001

Enquanto a esquerda brasileira clama contra os terríveis “anos de chumbo da cruel ditadura militar brasileira” e ataca as reuniões comemorativas de 64 e o lançamento do livro sobre o Presidente Médici, seus próceres esquecem (?) de que os piores crimes contra a humanidade foram cometidos por seus admirados predecessores: Lenin, Stalin, Mao Zedong, Hitler, Castro e Che Guevara. Piores não apenas quantitativamente – o que já seria relevante – mas em crueldade, cinismo, hipocrisia e puro demonismo.

Ao limitar-me aos anos 1933-45 não estou de forma nenhuma deixando de lado os genocídios que ocorreram nos períodos anteriores ou posteriores, como o praticado pelo Império Otomano contra os Armênios de 1915 a 1918. Um número estimado entre 500.000 e 600.000 pessoas foram queimados, fuzilados ou dizimados por torturas e morte pela fome. Muitos foram exilados, expulsos ou fugiram para tentar sobreviver. Para dar um nome à matança foi cunhado por Raphael Lemkin o termo genocídio. Acredita-se que o total de mortos atingiu 1.500.000. No último dia 24 de abril a Igreja Armênia do Brasil lembrou o 97º aniversário do da matança. Nem desconsidero os massacres posteriores de Mao Zedong, Pol Tot, Fidel e outros comunistas. Também não desprezo os mais de 300 milhões de mortos pelo Islã nos últimos 1.400 anos.

A característica de todos foi a tentativa de destruição de qualquer resquício da Civilização (sem adjetivo, pois só existe uma: a Ocidental Judaico-Cristã).

Uma das acusações mais freqüentes a textos como este é que “os Cristãos mataram milhões na maldita Inquisição” e não têm moral para falar. Pois as mais novas pesquisas históricas revelam que os números de mortes e torturas foram exagerados deliberadamente. Os números usados por Juan Antonio Llorente para a Inquisição Católica Espanhola (350.000 processos e 32.000 condenados) têm sido contestados por pesquisadores independentes. Ricardo García Cárcel & Mario Moreno Martínez (Inquisición. Historia Crítica), Antonio Dominguez Ortiz (Estudios de la Inquisición Española) e Jaime Contreras admitem 150.000 processos, 5.000 vítimas mortais, 3.500 por judaísmo e o restante por diversas heresias. As torturas atingiram se tanto 2 a 3% do total. Para Henry Kamen, expert em história moderna, a Inquisição Católica espanhola foi muito inferior à da França ou as Protestantes na Inglaterra, Escócia, Alemanha e Holanda. (Todos estes autores são citados na insuspeita revista esquerdista espanhola Historia Y Vida, nº 519).

Os anos de terror a que me refiro aqui vão de 1933 a 1945. Segundo Timothy Snyder (Bloodlands: Europe between Hitler and Stalin,Basic Books, NY, 2010) os anos de genocídio podem ser divididos em três períodos:

1. 1933-1938 – a União Soviética foi responsável por quase todas as matanças.

2. 1939-1941 – como resultado do Pacto Molotov-Ribbentropp houve um balanceamento das ações entre os dois aliados.

3. 1941-1945 – os Alemães foram responsáveis por quase todas as matanças.

Desde 1944, ano em que foi publicado The Road to Serfdom, de Friedrich von Hayek, o mundo sabe que o fascismo jamais foi uma reação contra o socialismo, mas ambos têm raízes comuns no planejamento econômico centralizado no Estado e no poder deste sobre os indivíduos. Por mais que as esquerdas acusem os liberais e conservadores de fascistas, como os idiotas na frente do Clube Militar, a história demonstra que o fascismo e sua versão nazista e o comunismo são gêmeos univitelinos, separados apenas por conveniência propagandística de Stalin após a traição de Hitler ao romper o pacto Molotov-Ribbentropp e invadir a URSS em 1941.

A história do terceiro período (41-45) é suficientemente conhecida, pois os Judeus, com justa razão, não nos deixam esquecer o Holocausto. Mas a dos demais períodos são ocultadas com zelo pela esquerda, principalmente o Holodomor, o Holocausto Ucraniano. Segundo Snyder ‘os stalinistas colonizaram seu próprio país, e os nazistas colonizaram a Ucrânia Soviética ocupada: e os habitantes da Ucrânia sofreram e sofreram. Durante os anos em que tanto Stalin quanto Hitler estiveram no poder, mais pessoas foram mortas na Ucrânia do que em qualquer outro lugar nas terras ensangüentadas (bloodlands) ou na Europa, ou mesmo no mundo’. Nunca tantos mataram tantos em tão pouco tempo! Mais de 30 anos antes de Alexander Soljenitsin, em seu Arquipélago Gulag, Victor Andreievich Kravchenko, em I chose freedom, já denunciava as atrocidades dos campos de concentração na União Soviética. Mas o estudo de Snyder, embora não tão pungente, vai além: em 476 campos de trabalho forçado, 18 milhões de pessoas foram sentenciadas, das quais entre 1.500.000 e 3.000.000 morreram.

Sem falar no pior: a fome! Os Ucranianos foram condenados conscientemente a morrer de fome e os famintos ainda eram cinicamente acusados de ‘sabotadores do plano qüinqüenal’. O canibalismo instalou-se como norma: pais comiam o corpo de seus filhos mortos e vice-versa. Irmãos comiam os menores que morriam antes.
Num próximo artigo aprofundarei estes dados.
Quem defende ou mesmo silencia sobre estes crimes, tem moral para acusar alguém, de quê?
Para publicação no Jornal Inconfidência, Belo Horizonte, MG

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