sábado, 30 de junho de 2012

PSICOPATAS: ELES ESTÃO ENTRE NÓS




          

Os psicopatas são falantes, charmosos, simpáticos, sedutores, capazes de impressionar e cativar rapidamente qualquer pessoa. Sua capacidade de “parecer bonzinho, educado e inofensivo é impecável”. É a pessoa perfeita, aquela que você menos desconfia ser um psicopata. Tudo isso é uma fachada, como um teatro muito bem engendrado para esconder suas características perturbadoras: a incapacidade de se adaptar às normas sociais com respeito a comportamentos dentro da lei ou da ética social, indicado pela repetição de atos criminosos. A capacidade de enganar, através de mentiras repetidas a fim de obter lucro pessoal ou prazer. Desrespeito e imprudência pela sua própria segurança e dos outros. Irresponsabilidade, indicada por falhas repetidas na manutenção do trabalho ou honrar suas obrigações financeiras. A falta total de remorso ou culpa por ter ferido, maltratado, roubado, enganado ou mesmo matado outras pessoas. Eles são inteligentes, mas insensíveis, frios, manipuladores e sua capacidade de fingir sentimentos é perfeita. Se descobertos, são mestres em inverter o jogo, colocar-se no papel de vítima ou tentar convencer de que foram mal interpretados. E estão conscientes de todos os seus atos.

Assim os psiquiatras os descrevem. Este perfil assombroso é absolutamente realista. Os psicopatas são o extremo mais grave dos que apresentam “distúrbio de personalidade anti-social” (DPA). A possibilidade de você já ter encontrado um em seu caminho é grande, pois pelas estatísticas da Organização Mundial da Saúde uma em cada 100 pessoas uma é sociopata em maior ou menor grau, 1% a 4% da população mundial. 

Não existe defesa totalmente segura contra eles. Segundo os psiquiatras muitos atos cometidos com crueldade atuais ou não, podem ter origem nesse mal. O grande desafio é reconhecê-los, devido a capacidade de enganar com perfeição e dizer exatamente o que você quer ouvir, que eles possuem. Você só descobre que cruzou o caminho de um psicopata, após ter sido prejudicado por ele. 

O psicopata não é exatamente um doente mental, mas sim um ser que se encontra na divisa entre sanidade e a loucura. O ser humano normal é movido pelo triangulo: razão, sentimento e vontade. O que move um psicopata é: razão e vontade ou seja o que os move é satisfazer plenamente seus desejos, mesmo que isso envolva crimes como: golpes financeiros, roubos, furtos, estupro ou assassinato. Não importa, já que para eles não existe o fato: sentimento. Eles já foram descritos como seres desprovidos de “alma”.

Os sociopatas exibem egocentrismo e um narcisismo patológico, baixa tolerância para frustração e facilidade de comportamento agressivo, falta de empatia com outros seres humanos. Eles são geralmente cínicos, incapazes de manter uma relação e de amar. Eles mentem sem qualquer vergonha, roubam, abusam, trapaceiam, negligenciam suas famílias e parentes. 

O pesquisador canadense Robert Hare, um dos maiores especialistas do mundo em sociopatia criminosa, os caracteriza como "predadores intra-espécies que usam charme, manipulação, intimidação e violência para controlar os outros e para satisfazer suas próprias necessidades. Em sua falta de consciência e de sentimento pelos outros, eles tomam friamente aquilo que querem, violando as normas sociais sem o menor senso de culpa ou arrependimento."

Os próprios sociopatas se descrevem como "predadores" e sentem orgulho disto. O psicopata é incapaz de aprender com a punição ou de modificar seu comportamento. Quando descobre que seu comportamento foi identificado, ele reage escondendo muito bem este seu “lado negro”, mas nunca mudando, disfarça de forma inteligente as suas características de personalidade. 

O indivíduo sociopata não apresenta sintomas de outras doenças mentais, tais como neuroses, alucinações, delírios, irritações ou psicoses. Eles apresentam um comportamento tranquilo quando interagem com a sociedade, geralmente possui uma considerável presença social e boa fluência verbal. Não é incomum, eles se tornarem líderes sociais de seus grupos. Muito poucas pessoas, mesmo após um contato duradouro com o sociopata, são capazes de imaginar o seu "lado negro", o qual a maioria dos sociopatas é capaz de esconder com sucesso durante sua vida inteira, levando a uma dupla existência. Vítimas fatais de sociopatas violentos percebem seu verdadeiro lado apenas alguns momentos antes de sua morte.

Graças aos céus os psicopatas que matam, estupram e torturam não são os mais frequentes. O mais comum é o tipo parasita: aquele que se dedica a atormentar e dar golpes em suas vítimas sem nunca atentar fisicamente contra elas. Políticos corruptos, líderes autoritários, pessoas agressivas e que abusam da sua confiança, etc... Uma característica comum aos sociopatas é a de usarem sistematicamente a enganação e manipulação de outros visando ganhos pessoais. Um estudo epidemiológico do NIMH (National Institute of Mental Health) registrou que somente 47% daqueles que eram sociopatas tinham uma história de processo criminal significativo. O mais comum para estes são problemas no trabalho, violência doméstica, tráfico e dificuldades conjugais severas. Normalmente os indivíduos com este distúrbio de personalidade são ciumentos, possessivos, irritáveis, argumentadores e intimidadores. Seu comportamento frequentemente é rude, imprevisível e arrogante.

Dr Robert Hare: "É enorme o sofrimento social, econômico e pessoal causado por algumas pessoas cujas atitudes e comportamento resultam menos das forças sociais do que de um senso inerente de autoridade e uma incapacidade para conexão emocional do que o resto da humanidade. Para estes indivíduos - os psicopatas - as regras sociais não são uma força limitante, e a idéia de um bem comum é meramente uma abstração confusa e inconveniente". 

Dr Robert Hare: “Eles andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis, deixando carteiras vazias por onde passam”.

Dr Robert Hare : “O psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente – se o rato tem família, se vai sofrer. Ele só pensa em comida. Gatos e ratos nunca vão se entender. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato”.

Dr Robert Hare: “Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não o sente da maneira como nós entendemos. Em geral, é um sentimento de posse, de propriedade. Se você perguntar a um psicopata por que ele ama certa mulher, ele lhe dará respostas muito concretas, tais como “porque ela é bonita”, “porque o sexo é ótimo” ou “porque ela está sempre lá quando preciso”. As emoções estão para o psicopata assim como está o vermelho para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las”.

Em casos mais graves o psicopata pode praticar canibalismo, rituais sádicos de tortura e assassinatos, inclusive os em série. Há um consenso que as formas extremas de sociopatia violenta são intratáveis e que seus portadores devem ser confinados em celas especiais para criminosos insanos por toda a vida. 

Dr Robert Hare: “O psicopata é incurável, pelos meios tradicionais de terapia. Pegue-se o modelo-padrão de atendimento psicológico nas prisões. Ele simplesmente não tem nenhum efeito sobre os psicopatas. Nesse modelo, tenta-se mudar a forma como os pacientes pensam e agem estimulando-os a colocar-se no lugar de suas vítimas. Para os psicopatas, isso é perda de tempo. Ele não leva em conta a dor da vítima, mas o prazer que sentiu com o crime. Outro tratamento que não funciona para criminosos psicopatas é o cognitivo – aquele em que o psicologo e paciente falam sobre o que deixa o criminoso com raiva, por exemplo, a fim de descobrir o ciclo que leva ao surgimento desse sentimento e, assim, evitá-lo. Esse procedimento não se aplica aos psicopatas porque eles não conseguem ver nada de errado em seu próprio comportamento”.

Está comprovado que no cérebro dos psicopatas o sistema límbico, responsável pelas emoções não funciona como deveria, por isso eles não apresentam emoções. Para eles, não existe diferença entre uma cena de um assassinato ou de uma bela paisagem. Em pessoas normais o sistema límbico reage ao ver uma cena de estupro, violência ou morte, mas para os psicopatas isso não acontece.. A atividade cerebral não se alterava, independentemente do que veja. A racionalidade deles é tamanha que não são pegos em detectores de mentira. Sabem exatamente o que estão fazendo e mentem com naturalidade. Não há tratamento para esses casos. Psicoterapia, psicanálise podem até ensiná-los a manipular com ainda mais maestria, uma vez que aprendem detalhes sobre o comportamento humano. Eles não têm o tipo mais comum de comportamento agressivo, que é o da violência acompanhada de descarga emocional (geralmente raiva ou medo) e nem ativação do sistema nervoso simpático (dilatação das pupilas, aumento dos batimentos cardíacos e respiração, descarga de adrenalina, etc). Seu tipo de violência é similar à agressão predatória, que é acompanhada por excitação simpática mínima ou por falta dela, e é planejado, proposital, sem emoção ("a sangue-frio"). Isto está correlacionado com um senso de superioridade, de que eles podem exercer poder e domínio irrestrito sobre outros, ignorar suas necessidades e justificar o uso de quaisquer meios para alcançar seus ideais e evitar consequências adversas para seus atos. 

Diagnosticar um psicopata não é tarefa fácil, pois o psicopata pode ludibriar, não porque ele seja um superdotado, mas o fato é que ele usa 100% de rendimento de sua inteligencia. Explicando: eles não se afligem com nada, não existe nele a catatimia (que é a interferência da emoção sobre a razão ou seja, eles não tem os “brancos” que as pessoas normais tem ao enfrentar uma situação de estressante). O psicopata desconhece este tipo de reação, veja o exemplo de políticos que mentem e manipulam de maneira cínica, sempre sorrindo, sem nunca perder “a linha de raciocínio”. 

Quanto aos seus crimes, cabe a psiquiatria forense avaliar se ele é imputável ou semi-imputável, do ponto de vista jurídico normalmente ele é considerado semi-responsável, indo para um Hospital Psiquiátrico, sendo avaliado de tempos em tempos, para ver se existe a possibilidade de voltar ao convívio social. Mas eles se tornam um problema seja nos presídios, hospitais psiquiátricos e outros.

As perguntas que não querem calar, são: - O que fazer com um psicopata que cometeu um crime? Ele pode ser novamente colocado em convívio com a sociedade? Como identificar um psicopata antes que ele cometa um crime grave? E, uma vez identificado como previnir, se não existe uma lei para isso?

No cinema mundial existem alguns exemplos de psicopatas: Norman Bates em Psicose, Max Cady em Cabo do Medo, Annie Wilkes em Louca Obsessão, John Doe em Seven, Anton Chigurh em Onde os Fracos Não tem Vez, Coringa em Batman, Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes.

Psicopatas na história mundial: Jeffrey Dahmer, Ted Bandy, Charles Manson, Richard Ramirez, O Zodíaco (nunca pego ou identificado), John Wayne Gacy Junior (o palhaço assassino – “IT” do livro do Stephen King da vida real), Jack o Estripador (nunca pego ou identificado). Pedro Alonso Lopes (Colombiano acusado de mais de 300 assassinatos), Henry Lee Lucas, Robert Pickton, Erzsebet Bathory (Condessa húngara matou não menos de 650 pessoas durante seus 54 anos de vida), Adolph Hitler, Udai Hussein (filho de Sadan Hussein que mandava torturar jogadores de futebol e cometia atos de sadismo), Dr Josep Mengele (conhecido como Anjo da Morte no campo de concentração de Auschwitz durante a segunda guerra mundial), Dra Herta Oberheuser (Alemanha durante a segunda guerra mundial). 

Na história brasileira: Suzane Louise von Richthofen, Guilherme de Pádua, Champinha, Francisco de Assis Pereira (O Maníaco do Parque), Francisco Costa Rocha (Chico Picadinho).
  

No Brasil ainda temos um agravante no item psicopatas, se os mesmos forem “Di Menor” ao serem descobertos, devido as leis brasileiras o menor pode ficar no máximo três anos detido, o que na maioria das vezes não ocorre. 

Para exemplificar isso: O Caso do Menor Champinha.




 Champinha (Roberto Aparecido Alves Cardoso) tinha 16 anos quando idealizou o crime que resultou na morte de Lianna Friedenbach e Felipe Caffé. Além de estuprar e executar pessoalmente Lianna, ele comandou a quadrilha, formada por outros criminosos entre 32 e 50 anos. Champinha e Pernambuco, 32 anos estavam caçando próximo ao sítio do Leme, onde o casal estava acampando. Vendo o casal, Champinha teve a ideia de cometer o crime, segundo policiais que o ouviram na época, ele achou Lianna bonita e isso chamou sua atenção. Ele rasgou a barraca onde os dois estavam acampados com um golpe de faca. Lianna assustada tentou negociar dizendo que seu pai tinha dinheiro e que poderia pagar um resgate. Champinha então teve a ideia de seqüestrar a jovem e de matar Felipe em vez de somente roubar e matar na hora. Felipe assassinado por Pernambuco com um tiro na nuca no mesmo dia e local do sequestro. Frustrado em ver que não seria possível levar adiante o pedido de resgate, resolveu ficar com Lianna, a qual passou a chamar de "minha namorada". Lianna passou 83 horas e trinta minutos sendo vítima deste menor assassino vivendo um roteiro de brutalidade, violência sexual e insanidade. Depois de preso, Champinha confessou os crimes à polícia, disse que era o mentor do seqüestro e afirmou, sem remorso: 'Matei porque senti vontade de matar." "Para conversar com esse sujeito (Champinha), é preciso ter um estômago de aço" - disse na época o delegado Balangio.
  

De família pobre, Champinha estudou até a terceira série do ensino básico. Sua mãe diz que ele era bonzinho e o chamava de “meu nenem”. A partir dos 14 anos ele teve convulsões e sem tomar medicamentos saiu de casa, passando a viver nas ruas. Passava o tempo pedindo dinheiro nos semáforos de Embu-Guaçu e prestando serviços a quadrilhas de desmanche e roubo de automóveis. Apesar de nunca ter sido preso antes é acusado de ter matado pelo menos uma pessoa antes do assassinato de Lianna e Felipe. Costumava andar sempre com um facão na cintura e se impunha na vizinhança através do medo que transmitia. Quando assaltava não levava somente os bens das vitimas, mas ainda costumava fazer roleta-russa colocando a arma na cabeça da vítima e apertava o gatilho. Numa ocasião chegou a cortar o dedo de um comerciante que se recusou a entregar o dinheiro do caixa durante um assalto. Após os assassinatos de Lianna e Felipe, Champinha, então com 17 anos, foi colocado interno na Febem, passados três anos – o máximo que um menor pode cumprir – estava instituído o problema, o que fazer com ele? Na época já com 20 anos, um laudo elaborado por psiquiatras da Febem chegou a afirmar que seu comportamento era exemplar. Que ele era um excelente aluno nas aulas normais e de artesanato, que era um rapaz educado e que nunca se meteu em confusões. O laudo terminava afirmando que ele apenas tinha um leve retardamento mental e que foi coagido a cometer os assassinatos. A Vara da Infância e da Juventude não concordou com este laudo da Febem e determinou que fosse feito outro por psiquiatras forenses do Instituto Médico Legal. Este novo laudo chegou a uma conclusão bem diferente do emitido pela Febem, de acordo com os especialistas do IML, Champinha revelou uma personalidade de grande periculosidade sendo incapaz de conviver com a sociedade. Ao saber do novo laudo o Juiz ordenou que ele fosse internado por tempo indeterminado na Clínica Psiquiátrica do Hospital de Tratamento e Custódia, em São Paulo.
 Em meio a discussão do que fazer com ele, Champinha fugiu da Unidade 1 do Complexo Vila Maria da fundação aonde estava interno. Foi recapturado pela polícia quando estava na casa de uma tia, onde tentava obter dinheiro da mãe e fugir para fora do estado. Champinha foi para a Unidade de Saúde Experimental na Vila Maria, na zona norte da capital paulista. A decisão veio depois que o juiz indeferiu o pedido do governo de São Paulo de transferir o criminoso para Casa de Custódia de Taubaté, onde já esteve Francisco de Assis Pereira, conhecido como "Maníaco do Parque". De acordo com o promotor, interná-lo na Casa de Custódia de Taubaté seria "ilegal", pois ele tinha 16 anos quando cometeu o assassinato de um casal Lianna e Felipe. “É uma solução paliativa para resolver o problema deste caso emblemático específico. Existe uma determinação desde o ano passado para que ele fosse colocado num local onde houvesse tratamento psiquiátrico com contenção física”, ressaltou o promotor. A unidade de saúde, em questão é especializada no tratamento de jovens com transtornos de personalidade e foi construído em parceria entre a Secretaria de Saúde e a Fundação Casa.
 A presidente da Fundação Casa, Berenice Gianella, afirmou que havia feito o pedido de desinternação de Champinha, pois “Ele já devia ter saído”. De acordo com a mesma, ele não poderia estar mais interno, pois o prazo de internação dele expirou por já ter cumprido os três anos de detenção que é previsto no Eca – Estatuto da Criança e do Adolescente. Com a realização dos exames, que atestaram que ele não possuí condições psicológicas para retornar às ruas. O que fazer com ele? Se o Estado não tem locais especializados para receber um criminoso como esse e ele não pode ir para um presídio comum devido a ser menor quando praticou o crime?

Elizabeth Metynoski

* Fontes de pesquisa:  National Institute of Mental Health, Without Conscience: The Disturbing World of the Psychopaths Among Us - Dr. Robert Hare, Psychopaths: Theory and Research - Dr. Robert Hare e entrevistas diversas concedidas pelo Dr. Robert Hare em revistas e jornais.

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