quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vandalismo de brasileiros na Alemanha: Igreja pichada


Não bastando as barbáries por aqui, brasileiros estão fazendo "escola" fora do país:


Igreja pichada por brasileiros em Berlim está interditada por tempo indeterminado 




DANILA MOURA
 EM BERLIM 



 Entre árvores frondosas e prédios residenciais de tijolinhos está a histórica igreja de Sta. Elisabeth em Berlim. 


 Construída em meados de 1835, leva a assinatura de um importante nome da arquitetura prussiana, Karl Friedrich Schinkel. Um dos grandes nomes entre os urbanistas alemães neoclássicos, ele deixou traços do estilo nas formas da igreja: sem torres ou grandes símbolos religiosos. 


 Apesar da imponência, nao ficou impune à um ataque de uma bomba incendiária na Segunda Guerra mundial e à sanha dos paulistanos do "Pixação". Formado por Djan Ivson (o Cripta, o mesmo que pichou o espaço vazio da Bienal de 2010 em São Paulo), Biscoito, William e R.C.,o grupo promoveu um polêmico "workshop" sobre pichação que terminou com o curador Artur Zmijewski coberto de tinta nesta última semana. 


 A igreja somente conseguiu fazer a manutenção de sua estrutura externa, detonada pelo tal ataque bélico no começo dos anos 1990, por causa do apoio financeiro dado pela Fundação Alemã para a Proteção Monumento. As obras foram encerradas em 1999, mas a administração do local ainda aguardava por ajuda para finalizar a área interna, que, no caso, foi cravejada pelos desenhos rasgados de spray. Miguel Ferraz

    O curador da bienal Artur Zmijewski pichado após confusão com brasileiros em Berlim




 "Ainda estou sem entender o que aconteceu nesse evento, moro aqui há anos, dá vontade de chorar ao ver como a igreja ficou. Demoramos anos para recuperá-la", diz Rosie S. Bauer, 39, vizinha ao espaço. Outra moradora, que não se identificou, apenas concordava balançando a cabeça: "Isso deveria ser crime, né?", ela pergunta após ouvir a explicação sobre o que é fazer pixação. 


 A reportagem da Folha procurou por funcionários do local, que se restringiram a dizer que, neste momento, só sabiam que o local ficaria fechado às eventuais visitações até conseguirem remover as pichações por completo. 


 "Os caras foram convidados, a organização não sabia que a essência da pichação era ser transgressora, sem autorização para ser feita? Correram um risco", afirma o estudante de arte espanhol Julio Gonsales, 28, cujos amigos estão participando da Bienal de Berlim. "Se isso é arte ou não, é preciso entender em qual contexto, mas acho que o dano foi muito impressionante, não consegui digerir", diz o espanhol Ricardo Voltas, que também veio à capital alemã para acompanhar o evento. 


 Uma organizadora, que somente se apresentou de modo informal como Bertha e não quis se identificar, disse à Folha que estavam procurando um meio de devolver a igreja com reparos. Sobre o episódio, que presenciou ao vivo, disse: "Foi horrível, não entendi nada". 


 A Folha tentou entrar no local, que está de portas trancadas. Por fora, nenhum traço de tinta aparenta macular a fachada, que serve de cenário para crianças brincarem nos seus jardins. Mas ao espiar pelas espessas janelas de vidro, é possível ver as letras pichadas em tamanho surpreendente. 


 Conhecida por receber diversos eventos culturais, a igreja teve que alterar a programação de um festival de música instrumental, cujas apresentações que seriam no local foram deslocadas para o edificio vizinho. 


link direto: folha.uol.com.br

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