terça-feira, 24 de julho de 2012

Debatendo com guardadores de porcos


A ciência só tem razão de ser se houver uma perspectiva de ordenamento do universo. E ordem implica causalidade, finalidade, efeitos, estruturas, ato, potência, etc. A ciência natural depende desses conceitos filosóficos para sobreviver como área do conhecimento.

Participei de um debate entre ateus e cristãos, na Rádio Vlogs, no dia 9 de junho. Foram convidados os militantes ateístas mais badalados do Youtube: Daniel Fraga, Yuri Grecco e Guilherme Tomishio. E do meu lado, participaram meus dois grandes amigos católicos Rodolpho Loreto e Samuel Cardoso. A questão mais dificultosa dessa empreitada foi explicar, através de esquemas lógicos, racionais e filosóficos, o porquê da ciência, da filosofia, da moral e da própria civilização perderem totalmente o sentido sem a existência de Deus.

Durante o imbróglio, parecia que falávamos línguas diferentes. Os ateus militantes, presos a um dogmatismo cientificista e fragmentário de pensamento, raciocinavam em círculos e não conseguiam concatenar um silogismo elementar e decente. E os cristãos esforçados tentavam, a todo custo, através de uma explicação racional, manter a coerência a favor do cristianismo.
Na prática, porém, acabamos por reconhecer que a luta foi inglória. Não entendiam nada. Criticavam o que não foi dito. Ou pior, apelavam a falácias para refutarem o que não conheciam. O debate chegou a tal nível, que os ateus se prestaram a atacar a própria filosofia, para defender seus postulados materialistas. Se não bastasse o fato de ignorarem os elementos básicos de uma boa discussão filosófica, depois do debate, uma turba de ateus começou a escrever impropérios contra a filosofia no Youtube. Pareciam ofendidos porque a filosofia clássica não corroborava com as idéias panfletárias deles. Ou pior, para eles, a filosofia se tornou inútil e foi substituída pela “ciência”.
Tal discurso é no mínimo, curioso, pois o que costumam chamar de “ciência natural” e “método científico” são meros produtos da filosofia. E mais: defendiam o “empirismo”, outra cria do pensamento filosófico. Ou seja, os ateus, em nome da ciência, acabam por decapitá-la.
Como a boa filosofia não presta para a propaganda ateísta, o negócio mesmo foi sacrificar Aristóteles, Platão, Santo Tomás e uma boa parte do conhecimento antigo e medieval, uma vez que os ateus são “moderninhos”, “avançadinhos”, ainda que ignorem completamente o que criticam.
Por outro lado, foi engraçado perceber que os ateus, ao defenderem a ausência de Deus no universo, acabaram por comprovar sua irracionalidade intrínseca. Atribuíam ao acaso e ao nada o elemento criador de tudo que existe na realidade. Não contive o riso ao notar que os materialistas e ateístas militantes insistiam em defender racionalmente um universo irracional. Nós, cristãos, demonstrávamos que o universo seria incompreensível, se fosse arbitrário e mesmo irracionalmente criado.
Não é por acaso que vi manifestações patéticas na Internet, de gente que estava chegando ao panteísmo mais genuíno, idolatrando as forças da natureza, tal como as seitas de bruxinhas wicca e outros tipos pagãos. Na prática, os materialistas e o ateístas são panteístas, na medida em que atribuem uma ordem racional a elementos impessoais da natureza. E a elementos inócuos e de peso morto, como o acaso.
Ficamos perplexos quando Guilherme Tomishio afirmou que existem fenômenos incausados na natureza, evocando a física quântica. Perguntei, cá com meus botões, será que ele descobriu Deus através de algum fenômeno quântico, já que está afirmando, ilogicamente, que pode provar algum tipo de causa incausada? Tomishio deve ser tão imortal quanto Deus para afirmar uma tese tão absurda como essa. Ou, no máximo, vai atribuir à natureza o próprio ser divino. Ele cometeu outro deslize terrível, como físico, ao afirmar que o vácuo é o mesmo que o nada. A argumentação saiu do plano da ciência propriamente dita, para se tornar algo bem esotérico, produto da cabeça criativa e ilógica de um pretenso cientista.
Yuri Grecco tinha uma linha de pensamento engraçada. Quando ele criticava cada postulado cristão, na prática, seu argumento acabava dando razão para o oponente. A pérola, que ficou para os anais do anedotário da internet, foi ele dizer, como biólogo, que o sexo não tem a finalidade principal de reprodução da espécie, mas tão somente como uma tal “exaptação”. Até o dado momento, Yuri Grecco, que se dizia “darwinista”, acabou de jogar na lata do lixo “A Origem das Espécies” e a “A Origem do Homem” (se é que ele tais livros). Agora dá para entender por que Yuri Grecco deixou de ser professor para virar lavador de pratos no Canadá.
Não podemos negar que ele fez um grande favor à educação brasileira ao deixar de ensinar tantas idiotices em nome de seus caprichos mentais. Ao menos, como lavador de pratos ou, quem sabe, guardador de porcos, ele se torne uma pessoa mais útil. Pena que ele não nos poupe de suas tolices quando grava no Youtube.
Depois do debate, raramente nós, cristãos, vimos uma expressão tão prepotente de ignorância e estupidez. Yuri Grecco publicou um vídeo infeliz no Youtube, afirmando que compreender Deus pela teologia é o mesmo que ser estilista para descobrir se a pessoa está nua. A pergunta que não quer calar é: este notório ignorante já leu alguma linha da Patrística e da Escolástica para criticá-la? A resposta é: não. Se ele ignora até mesmo os postulados evolucionistas que tanto advoga, que dirá o que seja teologia, salvo, é claro, por verdadeiras falácias estereotipadas sobre a religião!
Daniel Fraga e Tomishio são os dogmáticos do positivismo, ainda que não saibam construir nexos lógicos ou mesmo entender o que significa a filosofia positivista. Na prática, ao falarem de ciência, não demonstravam conhecer o que seja “método científico”. Pelo contrário, tudo o que se via era um emaranhado de clichês produzidos pela revista Superinteressante. Na lógica deles, tudo que não passava pelo crivo da ciência e do empirismo, logo, era prova de inexistência. Várias coisas não existiriam, se aplicássemos este conceito. A política, a moral, a epistemologia, a metafísica, os sentimentos, a consciência, a estética, e mesmo o pensamento científico não existiriam, dentro desse método turvo de análise da realidade. Ademais, havia uma confusão entre método científico e técnica, já que confundiam os instrumentos da investigação de algum fenômeno natural com o uso prático de ferramentas ou demais outros procedimentos técnicos ao bom uso do homem. A técnica, necessariamente, não precisa de ciência para existir. Ela é, inclusive, anterior ao pensamento científico.
Quando um ateu militante diz que devemos agradecer à ciência e esquecer a religião por temos a tecnologia, percebe-se que nem sabe do que está falando. Ele confunde técnica com ciência. É claro que a ciência potencializou, racionalizou e aperfeiçoou a técnica. Entretanto, o caso é que a ciência só tem razão de ser se houver uma perspectiva de ordenamento do universo. E ordem implica causalidade, finalidade, efeitos, estruturas, ato, potência, etc. A ciência natural depende desses conceitos filosóficos para sobreviver como área do conhecimento, sem o qual, vira um esoterismo caricatural, uma reles palpitaria de ateus militantes de internet.
Parecíamos escolásticos medievais falando latim, explicando aos camponeses da roça, aos guardadores de porcos, aspectos centrais da ciência e da teologia. Os ateus barulhentos do Youtube tentaram negativar em massa meus vídeos. E mais, tentaram anular o fiasco, com torcida organizada em torno de seus três ídolos. E pensei, cá com meus botões: há certas pessoas que deveriam fazer ofícios mecânicos, capinar no mato, cuidar do arado, ou quem sabe, comer capim. O que menos faltam são indivíduos com espírito de rebanho. Tal é a impressão que os ateus militantes nos deram, num debate cansativo no qual passaram incríveis vexames. 

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