segunda-feira, 2 de julho de 2012

Reflexões: Tempos modernos, igreja e crítica



Há alguns dias atrás, deparei-me com um post numa rede social de um líder de uma igreja influente, que dizia o seguinte: "O furto do evangelho é a compaixão enquanto o da religiosidade é a crítica". 

Fiquei perplexo. Primeiro por ele representar um grande ministério e dar mau exemplo. Faço um silogismo para simples interpretação: A religiosidade representa a crítica. Compaixão significa o evangelho; logo, a crítica não tem compaixão. Logo, não pode haver crítica no meio cristão. 

O pensamento crítico, na filosofia grega, era o de trazer discernimento em meio a situações simples ou complexas. Em Latin, o "ad-hominem" representa uma crítica ao debatedor, destacando sinais de sua fraqueza emocionais ou de personalidade. Logo, se eu digo: "não gosto da sua voz" - não necessariamente implique em não gostar de você. Essa é a diferenciação do pensamento crítico. 

O ap. Paulo, quando colocava na parede a igreja em Corinto, solta uma pérola digna de atenção, em meio as brigas dos irmãos sobre uns comerem demais, outros menos: "Importa que haja entre vós dissenções (heresias), para que os que são sãos se manifestem". Sugiro que leia as duas cartas, para que entenda porque ele disse isso. 

O ap. Paulo nos deixa um legado: Em meio a tantas barbaridades, as pessoas começam a entender o que é tragável ou não. Voltando a reflexão filosófica, a crítica sempre fez parte da sociedade sobre o julgamento de uma ou outra situação. A crítica "moderna", é apenas um chamariz das grandes escolas, desde as filosóficas gregas, até as escolásticas. O modo como Agostinho de Hipona, Tomaz de Aquino, Boaventura, Leibniz, passando por Lutero, Calvino, Lewis, Corção, Chesterton e Mário Ferreira viam o mundo, cegaria qualquer de nossos olhos. Exerciam o pensamento crítico sobre os evangelhos e a exaltação ao Transcendente (hyperbekós) - Aquele que É! Qual a diferença nisso? O pensamento desses, entre todos os cristãos comuns, transcendeu a seu tempo, ecoou. Fato é que: Através deles, podemos perceber o porquê as falácias hoje são tão 'mixurucas' para o evangelho. 

Tratando do início: Não fosse o pensamento crítico deles, a observação pura e simples da verdade, a visão que supera os limites do senso comum, não teríamos algo melhor do que um evangelho da prosperidade hoje. Não fosse o pensamento crítico e aguçado Knox ou de J. Wesley na Inglaterra, nada seria produzido numa visão aguçada dos fatos hoje. 

Há de se distinguir o pensamento jocoso, falacioso, debochado, ao pensamento que apenas trata do questionamento dos fatos. É plausível que o pensamento crítico e a argumentação estejam escassos no Brasil, inclusive nos dias de hoje. É muito falacioso dizer: "Não me crítiquem (não exerçam um pensamento a meu respeito), o que, em latim, é nomeado por "non sequitur" (relação de causalidade). Criar pessoas que fazem o que não pensam é melhor, mais comum, mais aceitável. É mais fácil para manipulá-las. O Cristianismo sempre foi um berço de argumentação, dissertação, onde a escolástica (escolas) elevava o seu debate para o lugar que deve ficar: no topo! 






0 comentários :