segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Conservador, o maléfico, o revolucionário e a comunicação: Don Quixote de la mancha!




Em todos os tempos e sob todos os regimes, houve políticos sem vergonha; mas estes nunca encontram melhor clima, do que nas burguezias ideais. Onde todos podem falar, os ilustrados se calam; os enriquecidos preferem ouvir os mais vis imbuidores.
José Ingenieros




Estamos na era da "comunicação de massa" (os frankfurtianos adoram isso). Em post no blog de Luciano Ayan, falando sobre um discurso de Craig x Dawkins, senti-me coagido a representar o velho conservador Burkeano e a reflexão antirrevolução, sob conservação do Estado mínimo. Lembrei-me do grande Russel Kirk e sua tradição; de Craig, em preservá-lo num debate.

Craig fundamenta-se na maravilhosa filosofia clássica. Sendo um homem de bom caráter e argumentos precisos, vale-se de seu embasamento filosófico para destronar algumas falácias de seus debatedores. Mas, como dito: "Ele leva, mas não ganha" - a reflexão de Luciano Ayan.

W. L. Craig está correto, mas o Ayan também fez a reflexão certa sobre ele: Craig "ganha, mas não leva". Não por ter falta de base, fundamento, argumentos, mas pela comunicação extremamente erudita para uns, quotidiana para outros, ou apenas indiferente para um terceiro grupo. Sabe o Dom Quixote? Quem era ele? Dom Quixote, um clássico de Miguel de Cervantes, conta a história de um nobre cavaleiro, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão pela leitura assídua dos romances de cavalaria e pretendeu imitar seus heróis prediletos. O nobre endoidecido andava pela Espanha como se fosse um dos grandes homens dos livros de cavalaria. Mas para que sua aventura fosse parecida com a proezas dos heróis literários,a imaginação interferiu na realidade: tratava monges como feiticeiros e lutava com moinhos de ventos como se fossem gigantes malfeitores, convencendo-se de que apenas homens destemidos como ele poderiam derrotá-los e, assim, trazer paz e justiça para a Espanha. Vejo alguns conservadores como "dons Quixotes", totalmente isolados da realidade. 

Os reais "conservadores clássicos" (que realmente levam o conservadorismo a sério) têm um discurso de alto nível num sentido geral. Há imbecis estão em toda parte, óbvio (claro, em maior número na esquerda), mas percebo também uma clara dificuldade dos conservadores ao transmitir ideias para as pessoas comuns, como aquele vizinho que discute política sem diferenciar esquerda ou direita, que precisam ouvir algo mais simples, menos "acadêmico". Diferentemente de certos grupos "radicais de direita" (que combatem o conservadorismo sem ao menos conhecê-lo a fundo), os conservadores que conheço de perto, com o bom e velho "papo de mesa", vai de Burke a Chesterton, de Vöegelin a Leibniz; passa por Kant, dissecando Hegel ou Marx, primando pelo bom estudo de Mário Ferreira traduzindo "massas",  com Ortega Y Gasset na consulta, sendo dicionário de cabeceira.

Quando se trata de mídias sociais, até o uso das novas tecnologias, a dificuldade de lidar com a nova geração, o senhor da esquina, do pão, o carteiro, é o peso do conservador. Vejo que muitos encontram enorme resistência quando o assunto é internet e meios de comunicação. É necessário refletir sobre o exemplo do grande apóstolo Paulo que, ao lidar com diversos tipos de públicos, falava a mensagem cristã das pessoas mais comuns aos grandes líderes da época.

Disse J. Ingenieros(*):
Quando o ignorante se julga igualado ao estudioso, o velhaco ao apóstolo, o falador ao eloqüente e o mau ao digno, a escala do mérito desaparece numa vergonhosa nivelação de vilania. A mediocridade é isso: os que nada sabem, julgam dizer o que pensam, embora cada um só consiga repetir dogmas, ou auspiciar voracidades.

O resultado é triste: a transformação de cursos de Comunicação e Mídias Sociais em campos de marxistas, com a velha luta de classes e da definição da "comunicação de massa" da escola frankfurtiana, que, consequentemente, usam de meios medíocres, mentiras e falácias, mas acabam acertando o foco e a emoção do povão. Coloca-se então aquela "pitada gramsciana" e está feita a salada!


A identidade do conservador é, geralmente, aquele cara mais sóbrio, determinado e focado na vida. Aquele que não perde seu tempo nas "revoluções" e gritarias. Vejo, com certa preocupação, a ascensão do "militante conservador" - por assim dizer, que adora a política caquética, o grito no escuro, aquela postagem contra o PT, que mais parece um jogo de esquerda farofa (que acredita no comunismo totalitário) contra a esquerda de Armani (tucanos e algumas alas do PT). Esses grupos estão focados naquela gritaria que mais parece torcida de futebol, algo que soa como "vamos revolucionar". 

Defender valores conservadores requer a  busca alma que emana de princípios, estudo, reflexão, convivência com a epistemologia, a busca do pensar e a sabedoria para entender as mazelas de cada um de nós, mas também, e principalmente, transmiti-la às novas gerações, repassando todos esses valores da forma mais clara possível. 



Leandro Souza

(*) Nota: Livro A Mediocracia - Ingenieros, José 

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