quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Deus: o 'trapalhão' e o vazio existencial do cristianismo


Penso que muitos estão indignados com a bobajada de Renato Aragão em sua nova tortura (filme): "O segundo filho de Deus". Desde os trapalhões, a morte de Mussum e Zacarias, Renato Aragão anda tentando suas peripécias sem nexo e sem graça, apenas forçadas pelos contratos da Globo para criar um humor, imitando o antigo grupo dos quatro humoristas. Ele diz não ter conexão entre o filme e a "religião", mas a reportagem da Veja demonstra o contrário. Bom, o que quero fazer aqui é outro tipo de análise:

Alguns amigos indagavam-me sobre o Brasil como "país cristão". Disse a eles que o país não é somente cristão por seu nome, pessoas que se dizem cristãs, ou algum tipo de "contagem". Além disso, há uma essência sobre a natureza de D'us que incide no ser humano. Creio que esse é um dos países mais corruptos do mundo. Fosse esse um país cristão, estaríamos nesse caos?

Erick Vöegelin, em seu livro "Religiões Políticas", destaca o humanismo face ao regime teocrático, onde o centro de tudo era o homem, não mais o ser transcendente. Sinceramente, não me surpreendo mais com alguns tipinhos que aparecem por ai, revoltados com a ideia de "deus", se ele existe ou não. Isso é básico para quem odeia a ideia de alguém regendo ou guiando o universo. Ademais, para quem nasceu sem estruturas de liderança, uma ideia de líder pode ser muito mais difícil de assimilação, desde que o sujeito pense que qualquer forma de autoridade é uma opressão. Claro, Deus não se limita a oprimir alguém. 

Fazendo a segunda análise, vejo o povo chamado "cristão" em busca de uma autoridade pífia, Ele fora do centro e sendo algo apenas experimental: "quando der, chame-O". Vejo posts de muitas mulheres "cristãs" no facebook, em geral, dizendo apenas sobre moda, cabelo, sapato, moda, sapato, cachorrinhos, cachorrões, cabelo, cabelo, moda, sapato e algum tipo de "autoajuda" cristã. Alguns posts cumprem mais o papel de confortar o ego ou lançar uma "indireta santa", exacerbando o emocionalismo de um deus fraco. 

Cristãos não servem ao Estado, pois servem a algo superior a ele. Mas, vendo um vídeo de Augustos Nicodemos, relembro uma de suas frases:

- Há o cristão ateu: Ateísmo cristão é você dizer que Deus existe, mas viver como se ele não existisse"

Ou Chesterton 

"Todos os adoradores da vontade, de Nietzche ao sr. Davidson, estão na realidade completamente vazios de volição. Eles não podem querer; eles mal podem aspirar. E se alguém precisa de uma prova disso, ela pode ser achada muito facilmente no seguinte fato: eles sempre falam da vontade como algo que se expande e se liberta. Mas é exatamente o contrário. Cada ato de vontade é um ato de autolimitação. Desejar uma ação, é desejar uma limitação. Nesse sentido todas as ações são ações de sacrifício de si mesmo. Quando você escolhe uma coisa qualquer, você rejeita tudo o mais." - G.K. Chesterton (1874-1936) extraído do Livro "Ortodoxia". (pg. 67) 


Renato Aragão cumpre mais um papel num país onde os idiotas tomam o poder e o povo chamado "cristão", dá-lhe as boas-vindas. Não é o fato de ser apenas um filme fazendo chacota com Cristo. É o fato dele acontecer que mostra a que nível de cristianismo vivemos hoje! 


Blog Timbre Vivo

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