sábado, 27 de outubro de 2012

"O Barbosa" : Falsetes morais do STF


por: Leonardo Conde
Ainda me impressiono com a ingenuidade de muita gente, no quesito das ações políticas. A Revista Veja publica, no dia 10 de outubro de 2012, o retrato do ministro do STF, Joaquim Barbosa, relator do mensalão, quando era um jovem de 14 anos, no interior de Minas Gerais. Elogios não são poupados àquele que até o dado momento é exaltado no combate à corrupção e, em específico, à corrupção petista. O magistrado é o “menino pobre que mudou o Brasil”.Nas redes sociais e no facebook, Joaquim Barbosa é visto como um herói da justiça, do zelo da coisa pública, como se no posicionamento de um juiz não estivesse incluído esse dever, essa obrigação elementar. De fato, ele é o modelo típico desejado pelo politicamente correto: um homem negro e de origem pobre brigando contra os malvados e ricos poderosos da República. Nem o teórico de Stálin, Jdanov, seria tão engenhoso numa caricatura moderna de realismo socialista. . .

Em outra publicação, Veja colocava a bandeira brasileira com fogos na sua capa, como se a condenação do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoíno e o tesoureiro Marcos Valério fosse um primor da moralidade das instituições, do povo e da sociedade brasileira. As explanações da Revista Veja sobre o mensalão apresentam uma imagem falsa da realidade. Ou melhor, apresentam parâmetros éticos que são irreais, que não pertencem ao povo brasileiro. Ou mais, não pertencem nem mesmo ao judiciário brasileiro.

Na verdade, o que se vê nesse falsete de moralidade é a idolatria estatal. Para o brasileiro médio, confuso nas suas perspectivas lógicas, a corrupção é quase sempre a corrupção do dinheiro público. Quase todo o discurso a respeito da corrupção é basicamente esse: o dinheiro do Estado é intocável. É como se o próprio Estado encarnasse alguma entidade superior, enquanto outros valores se tornam apequenados, sem qualquer significado para a sociedade. Mesmo assim, o cidadão médio pode achar perfeitamente válido criticar a roubalheira governamental e votar nos corruptos. O ladrão é sempre os outros. O brasileiro médio pode criticar a corrupção, mas nunca faz auto-crítica. Ele mesmo acredita que é legítimo roubar. Ele mesmo é um eleitor corrupto.

Se a corrupção estatal virou mero clichê para uma moralidade postiça, o grosso da vida social se tornou um poço de imoralidade e inoperância ética. Recordemos que a tal “ética na política” nunca foi necessariamente um princípio autêntico. Ele sempre foi, basicamente, um discurso político inventado pela esquerda, seja para se respaldar de qualquer crime, seja para destruir reputações políticas. A tal “ética na política”, longe de ser “ética”, foi uma das mais grotescas propagandas da legitimação da indústria de calúnia e difamação de inimigos políticos feita pelos socialistas e comunistas. Ela conseguiu desmoralizar como nunca qualquer tipo de ética.

O discurso da “ética na política” contaminou todo o imaginário de moralidade, na imprensa, nos formadores de opinião é mesmo nas classes políticas. A sociedade brasileira pode se tornar cada vez mais emburrecida ou mais corrupta nas relações privadas, mas ela tem nos políticos sua válvula de escape, seu bode expiatório, como se ela mesma não fosse responsável pela eleição e consagração destes indivíduos.

  Alguém questionou o fato de Joaquim Barbosa ter votado a favor das cotas, institucionalizando o racismo legal no país? Alguém o criticou por conta do seu voto pró-aborto de anencéfalos, caminho preparado para a legalização do aborto irrestrito e a relativização da vida humana? Alguém moveu uma palha quando o STF aprovou o casamento homossexual, rasgando as atribuições constitucionais e legislativas da Constituição e do Congresso Nacional, além de destruir a dignidade moral da família brasileira? Alguém protestou quando esse STF votou a favor da expulsão de brasileiros de Roraima, na região de Serra do Sol, para dar um grande território a ongs estrangeiras e afetar nossa soberania? A resposta é não. Aliás, em suas declarações, Joaquim Barbosa demonstra ser um indivíduo cheio de ressentimentos sociais e raciais. Ao que parece, no Brasil, ter origem pobre, ser pobre ou ser negro viraram espécies de status social, cujas pessoas não podem ser criticadas. Lula não se aproveitava também desta vitimização neurótica quando era criticado pelos poucos opositores de seu governo? A de que era um homenzinho pobre e eternamente operário, mesmo se sabendo que é um dos homens mais ricos e influentes do Brasil?

Poucos percebem que a suma importância que o STF adquiriu nos últimos dez anos é menos produto de um senso de justiça do que uma militância ativista nos tribunais. Ou seja, é fruto da politização e ideologização da justiça, que usurpa as funções legislativas e faz do judiciário um mero palco para grupos articulados fazerem valer suas agendas de engenharia social. O Sr. Joaquim Barbosa está lá por estas razões e não por conta do mensalão. O mensalão foi apenas um acidente de percurso. Ou melhor, o STF não teve como se esquivar do assunto, sob pena de perder a confiança de uma parte da opinião pública. O Supremo gostou um pouco do cadinho de poder que recebeu pra fazer alguma coisa escusa. E haja holofotes. . .

O que contou para o princípio de moralidade divulgado pela Revista Veja e os moralistas de plantão é o dinheiro, o dinheiro público. Numa sociedade onde se mata 50 mil brasileiros e onde a criminalidade é generalizada, parece que o banditismo privado se tornou até um direito adquirido. Os brasileiros miseráveis se tornam felizes, porque acham que pertencem à classe média, conforme repete a propaganda mentirosa do governo. E não é o dinheiro que conta como valor supremo para que eles acreditem nessa tolice? Eles podem levar tiros nas ruas ou ter suas ruas dominadas por quadrilhas, gangues ou pelo narcotráfico. Mas se estão comendo farelos e vendo a novela, tudo está bem.

E mesmo assim, o mensalão não afetou o voto dos brasileiros. Eles continuam votando nos corruptos e nos mesmíssimos corruptos do PT. O ex-ministro da educação Fernando Haddad está em vias de se tornar o prefeito da maior capital do país. Acaso o mensalão afetou sua reputação? Alguém se lembrou do ex-presidente Lula, seu fiel apoiador? Lula pode colocar um poste para disputas eleições, que o eleitor idiotizado vota. Na prática, o povo simplesmente pensou mais no folhetim das oito da “Avenida Brasil” do que estes meros detalhes irrelevantes. O estado de alienação moral se completa com o estado de alienação total da realidade.

Por outro lado, há alguns incautos que dizem que se fez justiça ao mensalão. Será? O maior beneficiário do crime saiu incólume e nem mesmo foi julgado. Ele hoje intermedia, manipula e estrutura praticamente o grosso da vida política e institucional brasileira. Tornou-se alguém tão poderoso, que já tentou até dar “carteiradas” em juiz do STF e o Tribunal ficou caladinho. É, inclusive, um nome elogiado pelo povo e por uma mídia vendida como o benfeitor das massas ignaras. O ex-presidente Lula, o chefe-mor do mensalão, está livre e solto, influenciando os destinos da política brasileira para o fundo do poço. 
O Sr. Joaquim Barbosa é o “menino pobre que mudou o Brasil”? A resposta também é não. O menino pobre que realmente mudou o Brasil foi Lula. Mudou pra pior. 
Onde está a ética na sociedade brasileira? Onde está a moralidade do STF? Na lata do lixo.

publicado no blog(clique e acesse): cavaleiroconde.com

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