domingo, 30 de dezembro de 2012

Erin Pizzey: Mais uma mulher que as feministas ameaçaram de morte




Como feministas ameaçam de morte mulheres contra o feminismo? Pergunte a Erin Pizzey, a trabalhadora humanitária que começou a desmascarar o feminismo.


Apesar de ser uma ensaísta e romancista de sucesso, Erin Pizzey ganhou reconhecimento internacional por seu trabalho humanitário, acolhendo e recuperando vítimas de violência doméstica. Em 1971, ela fundou o primeiro refúgio para mulheres do mundo moderno, o Chiswick Aid (organização hoje denominada como Refuge). Seu olhar clínico e sua experiência com incontáveis vítimas renderam importantes descobertas sobre a natureza e as causas da violência doméstica. Suas conclusões e evidências lançaram nova luz sobre a questão. Surpreendentemente, Pizzey se viu encurralada por manifestações feministas, boicotes organizados e ameaças de morte, devido à sua afirmação de que quase toda violên cia doméstica é recíproca. Segundo Pizzey, as mulheres são tão capazes de violência quanto os homens.

Seu nome completo é Erin Patria Margaret Pizzey. Seu pai era diplomata, mas não era um homem de posses. Fugindo da pobreza na Irlanda, sua família se transferiu para Shangai, onde logo ocorreria a invasão japonesa. Em 1942, toda a família foi capturada pelo exército inimigo, sendo futuramente trocada por prisioneiros de guerra, quando então puderam se reunir novamente. Apesar de ter nascido na China, no vilarejo de Tsingtao (hoje uma província conhecida como Qingdao), após uma movimentada juventude, Pizzey se estabeleceu na Inglaterra, onde estava destinada a iniciar uma carreira humanitária única naquela época.

Era o começo dos anos 70. Pouco a pouco, por toda Londres, mulheres que viviam presas a um cenário de opressão, humilhação e agressão física começaram a ouvir falar que em Chiswick, West London, no Terraço Belmont, havia um lugarzinho simples para onde era possível fugir e — mesmo sem dinheiro, mesmo arrastando filhos e independente de quem você seja ou do que possa ter feito — ser recebida de braços abertos e protegida. Chiswick era a certeza, não somente de um esconderijo seguro, mas de alimentação decente, cuidados médicos, asseio, roupas e, todos os dias, pontualmente as cinco, uma xícara bem quente de chá na companhia de Erin Pizzey.

A despeito do descrédito inicial de líderes comunitários, autoridades locais e membros da mídia, ela conseguiu inaugurar vários outros abrigos, gerenciados à semelhança de Chiswick. Não demorou muito para que a determinação de sua empreitada e a natureza inovadora de sua iniciativa conquistasse o público, ganhando o reconhecimento e os elogios de figuras importantes. Seu livro de 1974, Scream Quietly or the Neighbors Will Hear (Grite Baixinho ou Os Vizinhos Ouvirão, sem tradução no Brasil), sucesso de público e crítica, deu notoriedade à questão. Em 1975, discursando na House of Commons, Jack Ashley (MP) atestou que Pizzey foi “a primeira a reconhecer a seriedade da situação e quem primeiro fez algo de prático ao estabelecer o centro Chiswick Aid. Como resultado desse trabalho magnífico e pioneiro, agora a nação inteira veio a reconhecer o significado do problema”.

O que fez a diferença foi que, desde o início, Chiswick, seu primeiro abrigo, foi procurado por pessoas abusadas de todos os tipos, inclusive homens. Lidando com o problema em sua apresentação mais crua, não demorou muito para Pizzey perceber as limitações do papel masculino como agressor universal e a distância entre as políticas feministas e as reais necessidades da comunidade. Os freqüentadores de Chiswick mostraram a Pizzey que o maniqueísmo “mulheres são de Vênus, homens são do inferno” não descreve adequadamente a questão. A violência doméstica é recíproca, com am bos os parceiros abusando um do outro em taxas basicamente equivalentes. Por exemplo, acompanhando o histórico pessoal das muitas mulheres que reincidiam no abrigo, guardando informes sobre suas idéias, atitudes e reações agressivas, estudando sua capacidade de construir sempre o mesmo tipo de relacionamento, ela notou que a maioria das mulheres ali tinha tanta ou mais propensão à violência que seus parceiros, sejam maridos, namorados ou namoradas.


Intrigada, Pizzey uniu-se a outro interessado em violência doméstica, o Dr. John Gayford, do hospital Warlington. A pesquisa deles rendeu um ensaio intitulado Comparative Study Of Battered Women And Violence-Prone Women (algo como Estudo Comparativo Sobre Mulheres Agredidas e Mulheres com Propensão à Violência). O estudo faz uma distinção entre “mulheres genuinamente agredidas” e “mulheres com propensão à violência”. Desde então, descobertas similares relativas à mutualidade da violência do méstica têm sido amplamente confirmadas. O estudo de Pizzey e Gayford foi considerado uma inovação. Para Pizzey, contudo, era a comprovação de que a sociedade jamais havia olhado realmente para o problema. Ela se desligou do movimento feminista e começou sua própria campanha humanitária. Foi quando seu trabalho passou a sofrer injustas represálias que duraram mais de uma década, vindo a ser completamente obliterado.

Perplexa na época, hoje a ativista parece segura em explicar o ocorrido. Segundo Pizzey, grupos feministas em coalizão com lideranças trabalhistas femininas seqüestraram sua causa e a converteram numa tentativa de demonizar os homens — todos eles, o masculino em si — junto à comunidade internacional.

A intenção seria tornar mundialmente aceita, como um dogma político, a visão da mulher como vítima histórica dos homens, como o verdadeiro sexo superior, que só não se sobressaiu porque foi injustiçado por uma so ciedade masculina decadente, sobre a qual a mulher não possui qualquer responsabilidade, estando acima de críticas. Era o que pregavam importantes aforismos feministas da época, tais como: “O único problema são os homens!” Após o seqüestro de seu trabalho, por qualquer razão, Pizzey testemunhou em toda a mídia os números da violência contra a mulher dispararem. Isso incentivou a disponibilidade de fundos públicos, tornando novas instituições de apoio (agora exclusivo a mulheres) financeiramente promissoras e espalhando-as — assim como a sua ideologia — rapidamente sobre o globo. Hoje, Chiswick Aid, o pequeno movimento independente que começou num terraço em Londres, foi renomeado de Women’s Aid e possui uma renda anual multimilionária, apoiada por uma complexa rede de financiamentos, praticamente impossível de ser fiscalizada.

Deixando de lado acusações de improbidade administrativa e de disseminação de intolerância contra os hom ens (misandria) visando lucro, Pizzey lamenta apenas que a iniciativa inaugurada por ela tenha sido levada do “pessoal para o político”, pondo em risco nossas noções sobre as relações humanas.

Seu livro mais procurado pelos estudiosos da violência doméstica é também seu trabalho mais acusado. Em Prone to Violence (algo como Propensão à Violência), Pizzey argumenta que boa parte das vítimas femininas que freqüentavam o refúgio demonstrava possuir personalidades solícitas a relacionamentos abusivos. Ela categoriza os diversos tipos de comportamento abusivo, explicando-os através de uma combinação dos possíveis fatores causadores, circunstâncias comuns aos relatos das muitas vítimas e agressores que cruzaram seu caminho.

Prone to Violence não apela ao maniqueísmo sexista que nascia na época, não elege culpados, nem promove receitas de bom comportamento. A máquina de escrever de Pizzey não tinha outra meta além de uma co mpreensão humanitária da questão. Ela chega a especular, por exemplo, que altos níveis de hormônios e neurotransmissores associados a determinados problemas de infância poderiam levar a adultos que repetidamente sofrem alterações violentas com parceiros íntimos — apesar dos custos físicos, emocionais, legais e financeiros —, numa despercebida tentativa de simular o impacto emocional de experiências marcantes da infância. O livro apresenta variadas estórias de distúrbios familiares, assim como uma discussão sobre as causas da ineficiência das agências estatais de assistência social.

Apesar de sua importância acadêmica ter sido diversas vezes reconhecida, a obra contribuiu ainda mais para a ferocidade da oposição feminista contra a pesquisa e os refúgios para ambos os sexos mantidos por Pizzey. Sua reputação herética se consolidou, a multidão com seus slogans exigia fogueira para a bruxa. Demonstrando bravura, ela afirma que foi só depois de inúmeras ameaças de morte contra ela, seus filhos e netos, bem como do linchamento de seu cachorro, que a família abandonou sua vida na Inglaterra para recomeçar nos Estados Unidos. Era como estar revivendo o pesadelo de sua infância na China, durante a invasão japonesa. Ela não sabia, mas após anos de exílio nos EUA, a crescente repercussão de sua obra entre políticos, terapeutas e intelectuais a tornaria bem-vinda novamente no Reino Unido.

Erin Pizzey nunca parou de trabalhar com vítimas de violência doméstica. Atualmente ela é 
membro-fundador da agência de caridade Mankind Initiative.

Postado por: Luciano Garrido 

0 comentários :