domingo, 16 de dezembro de 2012

Marcos Bagno, o Lyssenko da linguística brasileira






Em uma certa ocasião tive a oportunidade de conversar com dois professores de linguística de uma faculdade de Belém. Não escondi o ar de perplexidade quando eles citaram, com uma ingênua autoridade, o trabalho de Marcos Bagno, professor de linguística da Universidade de Brasília. E ainda diziam que os alunos não deveriam ser corrigidos no seu português. Se alguém se comunica por gírias, sinais ou mímica, então para que ensinar a norma culta da língua portuguesa? Querer impor um ensino de gramática formal era discriminação ao modo de falar do povo, que nunca é "errado". Ou mais, não existia português "certo" ou "errado". As distinções se perdiam na subjetividade dos interlocutores.



Um deles chegou ao ponto de afirmar que a linguagem é como um ornamento. Ninguém falaria a norma culta numa praia, como se usasse um paletó. Retruquei que a língua não era mera questão de forma, mas de lógica, de história, de literatura, de estilística, de contexto, dentre outras coisas. Destruir as bases gramaticais da língua era simplesmente torná-la impraticável, uma torre de babel.

Não deu outra. O Brasil amarga uma porcentagem alta de analfabetos funcionais. Só nas faculdades, este número representa quase 40% dos alunos. O ENEM nem corrige mais os defeitos gramaticais e erros de grafia nas provas de redação. Marcos Bagno foi o divulgador de uma terminologia politicamente correta que se tornou título de livro: preconceito linguístico. Em suma, ensinar o português corretamente não se torna uma maneira clara do aluno de familiarizar com a história, a literatura e o modo de falar a sua língua. É uma forma de opressão de classe contra os pobres burrinhos. . .

Marcos Bagno
Quando eu cursava uma graduação de história, cansei de ver meus colegas escrevendo ilegivelmente ou simplesmente tendo dificuldades terríveis de ler, por conta da falta de domínio do idioma. Eram pessoas com curso superior que não sabiam escrever uma carta ou dissertar sobre um assunto logicamente. Não apreciavam nenhum hábito de ler. Ou mais, não sabiam nem mesmo ler livros de história. Ora tinham preguiça, ora liam apenas frases curtas, compêndios, informações fragmentadas, apostilas.


Se não bastasse o fato de omitir-se ao ensino do português padrão nas escolas, as universidades já encontraram uma solução maravilhosa, para evitar o "preconceito": exclua-se a língua portuguesa culta dos mortais. Meus amigos da faculdade conseguiram se formar, com seu português estropiado, escrevendo uma ortografia confusa, incorreta, incapazes de construir algum nexo lógico no uso do idioma. Estas pessoas pouco instruídas foram elevadas a "bacharéis". Muitos serão profissionais com dificuldades no exercício da profissão.

É curioso perceber que a ideologia do "preconceito linguístico", disseminada nos cursos de letras como uma forma compensatória de aceitação de falar dos pobres, seja uma das mais bizarras e excludentes da educação. Quando um aluno desconhece o português padrão, a tendência é a de que jamais consiga alcançar qualquer forma de conhecimento erudito, justamente porque o grosso das informações não é falado numa linguagem coloquial.

Com certeza o Sr. Marcos Bagno não escreve suas teses e artigos acadêmicos a partir da variante de gírias do português da favela, do funk ou da baixada. Uma boa parte dos professores de linguística jamais aprovaria um texto ilegível, por conta de um linguajar inferior e ilógico, na sua construção semântica. No entanto, eles pregam uma das mais formidáveis ideologias de exclusão do livre conhecimento. É como se a língua portuguesa, com todo o seu vigor estilístico, fosse proibida aos menos instruídos. Quando não, a língua portuguesa é proibida a todo o resto. Tudo o que é escrito nessa linguagem dita "elitista" e "culta" é expulsa, fora dos domínios do conhecimento, dos meios culturais e das universidades, como se fosse uma linguagem tão incompreensível como o latim. Todavia, o conhecimento genuino vai embora junto. E os analfabetos funcionais permanecem. . .

Alguém poderia objetar e dizer que não sou linguista. Ninguém precisa estudar profundamente linguistica para tanto. Quando boa parte dos alunos mal dominam a leitura e não conseguem escrever de forma que todos entendam, é possível perceber o estrago feito por conta de charlatães com prerrogativas acadêmicas. Grotesco é este pessoal vender a idéia de que combatem a "exclusão social", ao alardearem a ignorância autista do analfabeto funcional. Não me espante que atualmente muita gente deteste ser corrigida em seu português. Essa é a lógica do "preconceito linguístico". É a revolta estrutural contra a língua, patrocinada por um dos maiores embusteiros que a academia brasileira já nos consagrou. É, por assim dizer, o "preconceito linguístico" estúpido contra a normal padrão do português.

Marcos Bagno seria para o Brasil na linguística brasileira como Lyssenko foi nas ciências da Rússia Soviética. Só para esclarecer: Trofim Lissenko foi um reles vigarista que, nos anos 1930, tornou-se o todo poderoso chefe da a Academia de CIências da Rússia, na época do governo de Stálin. Com o objetivo de adequar a ciência à ideologia marxista, perseguiu e apoiou a deportação e fuzilamentos de vários cientistas soviéticos. A teoria genética de Mendel foi banida, contrária que era aos princípios marxistas e Einstein foi acusado de criar uma "ciência burguesa" e "trotskista". O lyssenkismo virou dogma da ciência soviética. Desse modo, a ciência de Lyssenko, aplicada à agricultura soviética, já arruinada pela coletivização forçada, esterilizou de vez a produção de alimentos do país.

Lyssenko tornou os cromossomos marxistas. Bagno transferiu o marxismo para a linguística: teve a proeza de criar uma nova modalidade de linguística. Não a do "preconceito linguístico", mas a do analfabetismo linguístico.

Este analfabetismo linguístico se consagra na figura de seus fãs. Que poucas pessoas tenham se manifestado sobre uma das maiores fraudes na educação brasileira, é prova cabal do quanto o efeito é danoso para as consciências. Num país onde Paulo Freire é o queridinho dos educadores, não custa nada surgir outros tipos vigaristas.

Mas o Lyssenko da gramática brasileira não se cansa de ter platéias a todo custo. Recentemente soltou farpas contra o Papa Bento XVI no twitter com os seguintes dizeres:


"Oh, que maravilha, o papa Bento 16 agora está no twitter! Vamos poder mandá-lo à merda em várias línguas, inclusive em latim! Oh, como estou feliz! Como utilizar a tecnologia do século 21 para transmitir idéias do século 12!".



Não custaria ensinar história ao Sr. Bagno: a universidade pela qual dá aulas é uma idéia do século XII. E desde quando a antiguidade é um fato desmerecedor de um pensamento? Poderíamos afirmar que Aristóteles não é válido, porque captaríamos idéias ultrapassadas do século IV. a.C? Ou de Platão? O tempo não corrói as boas idéias, quando elas são permanentes e suplantam a velhice do tempo. Na lógica do professor, o passado deve ser essencialmente mau.

Contudo, não é tão ruim assim quando se presta à defesa fanática da ditadura comunista soviética. Até neste ponto, Bagno se assemelha espiritualmente a Lyssenko. Ainda que seja um estranho anacronismo de alguém que não acompanhou a queda do Muro de Berlim em 1989, Bagno não tem a menor idéia da temporalidade. Ele condena algo que é permanente, isto é, os princípios da Igreja, quando morre de amores por uma dos sistemas políticos mais criminosos, abjetos e monstruosos do século XX.

Por outro lado, o que é Marcos Bagno, um acadêmico do país dos Bruzundangas, perto de uma inteligência superior como Bento XVI, homem erudito, teólogo, filósofo da mais alta envergadura intelectual? Bento XVI contribuiu para o esclarecimento da humanidade com seu conhecimento e saber. Seus livros são lidos em tudo o mundo. Tudo o que Marcos Bagno faz é encher os bolsos de dinheiro, manter um carguinho público e transformar gerações de alunos em analfabetos funcionais, ao lado do guru da esquerda brasileira, o pseudo-pedagogo Paulo Freire.

Felipe Melo - blogueiro do Juventudade Conservadora da UNB -  publicou um interessante artigo sobre a "esquizofrenia" do linguista e fez alguns comentários felizes sobre a índole de Marcos Bagno. O professor ficou incomodado. Como é típico de sua formação totalitária, o Lissenko da linguística não admite críticas:


"Acabei de descobrir, para meu horror, que existe um movimento chamado Juventude Conservadora da UNB. Reúne gente nova com pensamento jurássico. Devem adorar a mídia conservadora escrota e sem dúvida semeiam todo tipo de ódio e preconceito. Tenho vergonha de trabalhar no mesmo lugar onde brota esse tipo de juventude. Espero que nenhum (a) deles (a) jamais venha a ser meu/minha aluno (a), porque eu não tenho papas na língua e digo o que pensa (sic) na cara de quem seja. Por exemplo: Juventude Conservadora da UNB, vá à merda!".



Não vou me atentar à estética politicamente enfadonha de colocar desnecessariamente o "(a)", para definir quem é homem e mulher. A língua portuguesa já simplificou o gênero, antes de existir o Bagno. E tampouco me ater ao erro de concordância mal "pensado" do linguista, para mostrar meu lado linguisticamente "preconceituoso". Deve ser excesso de bile da parte dele.

O "pensamento democrático" de Marcos Bagno é engenhoso: democracia só conta quando o seu grupo dá as cartas. Num país realmente democrático todas as oposições são possíveis e toleráveis. Ou melhor - há rotatividade de poderes. Naturalmente, não para ele,  um adulador de modelos ditatoriais esquerdistas. A sua idolatria vai da tirania chavista na Venezuela a seus congêneres na América Latina. Que grande insulto para o linguista: existe oposição, não é mesmo? Que absurdo, no Brasil há conservadores!


Ainda furioso, Marcos Bagno publicou outra declaração no facebook, destilando impropérios à Juventude Conservadora da UNB:


" Uma universidade que nasceu do projeto de Anísio Teixeira (assassinado pelos militares na ditadura) e de Darcy Ribeiro, com projeto arquitetônico de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, que teve seu estudante Honestino assassinado pela ditadura não pode desonrar seu passado com uma escrotidão chamada "Juventude Conservadora". 

Marcos Bagno não trata mais a universidade como "pública". Agora é propriedade de seus amiguinhos. Não é interessante? E ainda repete velhos chavões stalinistas, rotulando de "fascistas" aqueles que tiveram o único pecado possível: discordar. Bagno só falta dizer que ninguém deve entrar no "pedaço" dele, a UNB, tal como um traficante de drogas na favela que determina toque de recolher. O choramingo ainda acompanha a hagiografia de esquerda sobre o regime militar. A coisa está feia!

Não é surpreendente a sua admiração por Brasília e pelo seu criador Oscar Niemeyer. Como dois oportunistas que desfrutam do dinheiro capitalista defendendo o socialismo, eles são um grande sucesso de público e crítica. Há legiões de imbecis seguidores e admiradores.

Bagno, sem criticar uma vírgula dos argumentos dos conservadores, em particular, os de Felipe Melo, ainda se mostra mais descontrolado no facebook:
 

"Que esses jovens com ideias velhas sejam repudiados incondicionalmente por todas as pessoas de bem e que hoje podem desfrutar de um regime democrático graças aos sofrimentos e às lutas dos anticonservadores. Fascismo nunca mais!"
 
Goebbels dizia que na propaganda, é necessário repetir uma mentira mil vezes até se transformar em uma verdade. Na cabecinha maniqueísta de Bagno, quem não for esquerdista, consequentemente deve ser um fascista. Rotular o oponente sem discutir idéias ganha pontos numa universidade dominada pela politicagem comunista mais chã. Tal método de Goebbels teve eficácia também em sua versão comunista. Na época da fome ucraniana e do Grande Terror, os arautos e bajuladores de Stálin se reuniam em rebanho para intimidar os oponentes, agredi-los, acusá-los de "fascistas", "espiões", "inimigos do povo", "reacionários" e outros clichês estúpidos. Os conservadores são acusados de disseminar "ódio" e "preconceito". Porém, Marcos Bagno quer mandar o Papa à merda e ainda destila raiva contra os seus críticos. Que grande coerência intelectual!

Entretanto, qual idéia, pensamento ou discurso faz de Felipe Melo ou da Juventude Conservadora "fascistas"? O único que age por métodos "fascistas" (que não são em nada diferentes dos comunistas) é o próprio Bagno, cuja intenção é intimidar psicologicamente seus opositores, através da chantagem e da ameaça, como se isto fizesse algum efeito. Ou mais, ele mesmo diz que não quer diálogo, debate, disputa de idéias. Quer um rebanho de ovelhas batendo palmas pra ele, reverenciando suas idéias tolas e chiliques.

O articulista da Juventude Conservadora foi bastante polido e educado. Bem mais educado do que eu. Bagno mais parecia uma barraqueira da gafieira ou de boteco. Do jeito que os comunistas são raivosos e os conservadores são educados, o "fascismo" vai parecer até melhor do que é. Marcos Bagno briga apenas com fascistas imaginários. Ele está um pouco fora de moda. Hitler e Mussolini já morreram. Fascistas já não fazem mal a ninguém, porque deixaram de existir. Ou os que existem são simplesmente irrelevantes. Já os comunistas...

Em outras épocas, Bagno seria apenas uma criatura hidrófoba e insignificante. Se vivesse no século XII, chegaria ao máximo cargo de bufão do rei posteriormente retratado nas obras de Diego Velazquez. Ou seria chutado a pontapés na bunda da universidade medieval. Entretanto, gente como ele dita as cartas da cultura no país. Nunca se viu tanta inferioridade intelectual, tanta falta de qualidade na fala do povo. Se a inteligentsia vota em Lula, o sinônimo-mor da baixa cultura e da semântica da língua presa, por que os professores não escolheriam Marcos Bagno para arruinar o idioma do país?

Um comentário :

  1. Se um professor de universidade pública é alienado assim... imagina seus alunos... não é de se espantar o vídeo de alunos da UERJ apoiando Chávez. Que lástima, esses estudantes são o futuro terrível do Brasil.

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