sábado, 8 de dezembro de 2012

Niemeyer e o fanatismo pelas ditaduras


Arte foto: Santa Aliança Brasileira
por: Leonardo Oliveira (título original: Falece a múmia stalinista) 

Diz um provérbio que não é aconselhável falar mal dos mortos. No entanto, algumas verdades não devem ser omitidas, quando estes são célebres. Vejo nos jornais o seguinte noticiário: “morre o gênio da arquitetura Oscar Niemeyer”. Ao que parece, um mero detalhe foi raramente lembrado deste “gênio”: a sua admiração fanática por um dos mais criminosos regimes políticos da face da Terra, ou seja, o Estado soviético. Era uma figura, por assim dizer, ideologicamente jurássica, com seus 105 incompletos. Todavia, também era uma criatura abertamente contraditória, para não dizer desonesta. Niemeyer poderia bajular os regimes totalitários de esquerda, mas vivia num dos bairros mais caros do Rio de Janeiro.

Niemeyer era tão fanático pela figura do ditador soviético Joseph Stálin, que era levado a falsificar a realidade em seu favor. Certa vez ele publicou um artigo na Folha de São Paulo, comentando a obra do historiador britânico Simon Sebag Montefiore, “O Jovem Stálin”. Espantosamente, Niemeyer afirmava que Monteriore reabilitava a figura do ditador soviético. Espantosamente, pois a conclusão do livro é totalmente diferente do que Niemeyer escreveu. Ou não leu a obra ou simplesmente mentiu.

Montefiore retrata o jovem Stálin como um bandoleiro, delinquente, criminoso, terrorista, assassino e marxista fanático. Ainda que reconhecesse nele algumas qualidades, como a inteligência, no entanto, a isto se soma uma paranóia que foi um elemento motriz nos expurgos e na depuração de milhões de pessoas. Nem as fotos de sua juventude, nem a história soviética foram poupadas. Adulterou-se tudo para se amoldar aos caprichos do tirano. Se não bastassem as asneiras de um velho com estado de demência, o editor da Folha de São Paulo se prestou a esse expediente caquético de propaganda soviética em nossa imprensa, publicando um texto tão grosseiro. A Folha se rebaixou ao nível da “Hora do Povo” ou do “Inverta”.

E se Niemeyer fosse um nazista ou revisionista do holocausto? Qual seria a reação da imprensa com relação a ele? Será que reconheceriam o seu valor como arquiteto? O que ele fez foi puro revisionismo histórico de negação do genocídio stalinista. Ao que parece, muita gente é conivente com os comunistas. Até porque uma parte de nossos formadores de opinião é comunista também. Se Niemeyer fosse admirador de Hitler, as pessoas tapariam o nariz. Como dizia Hannah Arendt, é melhor matar com Stálin do que com Hitler. Assim, ainda você terá chance de elogios chorosos, muito dinheiro no bolso e homenagens póstumas oficiais.

Mas o que vem a ser a arquitetura de Oscar Niemeyer? Ele deixou uma reles obra de realismo socialista: Brasília, uma Versalhes de concreto, uma Piongyang sem mísseis atômicos. Meu amigo, recém-chegado da Ucrânia, teve uma impressão parecida. Uma cidade soviética no centro do país. Quando conheci Brasília pela primeira vez, confesso que a achei absurdamente desumana. Quem não tem veículo, simplesmente não entra na capital do Brasil. Ela é esmagadoramente coletivista, sufocante e o indivíduo se sente um verdadeiro inseto naquele lugar.

Sua estrutura é uma imitação de um planejamento estatal da Gosplan soviética. Bairros são separados por serviços, setores ou funções. E a burocracia federal, a oligarquia superpoderosa, está no centro da cidade, enquanto as cidades-satélites são as serviçais da cidade proibida. As cidades-satélites não se limitam ao redor de Brasília. O Brasil é um conjunto de cidades-satélites da grande Moscou brasileira. Eis o segredo de sua arquitetura. Mas não será coincidência que dentro daquele lugar monstruosamente excludente e stalinista, governa um protótipo búlgaro de terrorista?

E as igrejas de Niemeyer? Mais parecem repartições públicas, depósitos, partes de um todo uniforme e estatal. Falta espiritualidade, sentimento, estética, individualidade. Elas são horrivelmente feias. Ou, no mínimo, inadequadas para serem Igrejas. Stálin fechou muitos templos religiosos, demoliu tantos outros e transformou-os em departamentos do Estado. Niemeyer não demoliu igrejas. Simplesmente as desfigurou. 

 E a gente pensava que aquele mórbido apologeta do genocídio comunista, financiado por muito dinheiro capitalista, era um imortal. Alguém poderia perfeitamente confundi-lo com o boneco de formol de Lênin, lá no Kremlin.

Faleceu a múmia. Deus o perdoe. E que esteja sentado no colo do camarada Stalin. Porque o camarada Koba, "Sossó" para os íntimos, já deve ter tomado conta do inferno. 

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