segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A hipocrisia pacificada e o estupro mental


Gostaria de fazer alguns comentários sobre os "massacres em massa" dos americanos. Povo bruto, não? Vocês sabem por quê? Eles possuem armas!

Nós brasileiros não possuímos mais. Somos um país pacífico, honesto e tranquilo, correto? Não. Parece que o tupiniquim não se dá conta disso. Noticiários inteiros tratando de "massacres" americanos (de povoados meio isolados com pessoas meio loucas) como se fossem o último crime de guerra mundial. Ninguém diz que isso é bonito, aceitável, ou que não seja passível de indignação. A questão não é essa. 

Ao entrar no canal do blog no youtube.com, deparo me com esse vídeo, enviado por um amigo: 




Mal informado sobre a situação, achei que fosse uma brincadeira. Informado-me melhor sobre o fato, entendi que a menina que aparece no vídeo foi inspirada por outra, que já teve seu ensaio na playboy :



No primeiro vídeo, um senhor faz a filmagem. Não é o pai da 'criança', mas pode ser alguém que a 'tutoreia'. Já o segundo, é a adolescente que tava afim de ser vista "nua" para o resto do mundo. Em ambas, a coragem de se expor por motivos diferentes. Aliás, muita coragem, visto que era a dignidade delas que estava em jogo. Uma não pensava nem sobre dignidade. A outra, pensava sobre a mãe doente, mas era a tal "prostituição do dinheiro fácil", tão vista na TV brasileira. É fácil notar que a educação dos adolescentes hoje passa pela hipersexualidade, vamos chamar assim. 

Notem: Em primeiro plano, a guria que está presente nas cabeças de muitas adolescentes deste país. A catarinense que quer brilhar como uma "dançarina de programas de humor" - e que, mais tarde, virará uma prostituta de luxo, cobrando milhares de reais pelo seu corpo. A outra, impelida por algum tipo de "tutor", vira motivo de chacota por toda a cidade, perde o sossego, a vida, a confiança em si própria. Estranha a justificativa da menina baiana, quando diz: "há alguns anos atrás eu tinha esse pensamento (...) agora, tenho esse". Não era mais fácil canalizar o vídeo do youtube para uma "campanha pela mãe doente"? Duvido que a mídia (principalmente os programas sensacionalistas) dariam algum tipo de força para a situação da mãe. A mudança brutal de conceitos da baiana de Sapeaçu é o que se vê na sexualização precoce, banalizando algo que poderia ser muito bonito para a mulher. Ambas sofreram um "estupro mental". 

Num país onde cerca de 65 mil pessoas são abusadas por ano, nossa sexualidade é quase que uma doença. Não uma doença pelo sexo em si, mas pelo "estupro mental" (além dos abusos físicos que ocorrem geralmente entre familiares) que crianças e adolescentes sofrem. Esse não é um assunto de debates, de programas inteiros da Band News, Globo News; não sai no O Globo em primeira mão. Nossa hipocrisia é pacificada, assim como nossas armas

Por que juntar o massacre americano com as "novas virgens" brasileiras? Pelo preço da nossa hipocrisia. O estado tem ensinado às crianças, adolescentes, que sexo é melhor do que trabalhar e ter um alvo. Que seu sonho tem que ser o de ficar nua e ser pop star da TV. Que valores familiares são retrógrados e que o Estado sabe te educar. O erro é dos americanos, é dos brancos de olhos azuis. Nós somos o "país da paz", o país sem armas, o país em que ficar pelado é bom, é "liberdade". O país em em que se preservar é coisa para tolos. 

Amanhã, vamos ver de novo: "o massacre nos EUA". O nosso massacre, o de todo dia. Nossas armas, nosso preconceito, nossa pobreza, nossa sexualidade, tudo é pacificado pelo governo. Ruim são os outros. Mortes? Estupro? Roubo? Mulher pelada? A gente já tá acostumado, não é?  

Leandro de Souza. 
Conservadorismo Brasil







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