quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Lênin e a Religião




 “Homens que levam adiante revoluções políticas parecem ser de dois tipos principais, o clerical e o romântico. Lênin (ele adotou esse pseudônimo em 1901) pertencia à primeira categoria. Seus pais eram cristãos. A religião era importante para ele, no sentido que a odiava. Diferentemente de Marx, que a desprezava e a tratava de coisa marginal, Lênin a via como uma inimiga poderosa e ubíqua. Deixou claro em seus escritos (sendo sua carta a Gorky, em 13 de janeiro de 1913, um exemplo marcante) que tinha uma aversão pessoal profunda por tudo que era religioso. ‘Não pode haver nada mais abominável que a religião’, escreveu. Desde o princípio, O Estado por ele criado estabeleceu e mantém ativa até hoje uma enorme máquina de propaganda acadêmica contra a religião. Ele não era apenas anti-clerical, como Stálin, que odiava os padres porque eram corruptos. Ao contrário, Lênin não se importava com os padres corruptos, porque eles eram facilmente elimináveis. Os homens que ele realmente temia e odiava, e que mais tarde perseguiu, eram os santos. Quanto mais pura a religião, mais perigosa. Um clérigo devoto, argumentava Lênin, é muito mais influente que um clérigo imoral e egoísta. O clero que mais precisava ser suprimido não era aquele engajado na defesa da exploração, mas sim o que expressava sua solidariedade ao proletariado e aos camponeses. Era como se ele reconhecesse no verdadeiro homem de Deus o mesmo zelo e espírito que o animavam, e desejasse expropriá-lo e trazê-lo para sua própria causa. Nenhum homem personifica melhor a substituição do impulso religioso pelo desejo de poder.”


 (Paul Johnson, “Tempos Modernos”)

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