quinta-feira, 7 de março de 2013

Mais tonto que um militante...


O relato abaixo é de um estudante normal, aquele que vai para uma universidade pensando haver a tal "formação do pensamento, diversidade de ideias". Muitos estudantes, quando percebem que a bobagem em que são inseridos está (perto?) longe de acabar. Estudantes de direita hoje sofrem na pele todo tipo de chacota e repulsa de professores esquerdistas. 


Quando, ainda no ensino médio, pensava em fazer Ciências Sociais, tinha em mente uma série de projetos e promessas para minha vida dentro da universidade, uma destas era a de tentar ser o mais neutro possível dentro do ambiente acadêmico. Sabia das dificuldades desta última, sabia o quão era complicado transitar dentro das humanas sem sair do outro lado com um rótulo ideológico firmado na testa. Quando entrei, fiz questão de “vigiar e punir” todas as minhas recaídas, de vez em quando me via encantado com o discurso da beleza que é ser pobre, ou do quanto é horrível ver o capitalismo matando nossos ursinhos polares, qualquer sinal de engajamento, buscava o máximo me afastar daquilo.

Ainda no ensino médio, considerava a academia o centro do pensamento, onde as idéias jorravam como sêmen juvenil, mas como foi duro (sem trocadilho, ok?) perceber que estava cercado de octogenários broxas. Caras com camisas do Che Guevara, recitando Pablo Neruda, com vinil de Belchior debaixo do braço era tão previsível quanto achar um vendedor de picolé na praia. Bem que tentava me encaixar em alguma coisa, olhava um grupo de discussão de Gramsci ali, uma oficina sobre Foucault e Sartre acolá, nada que não fosse doutrinário demais.

Percebi que haveria apenas uma solução, para munir-se contra aquele circo vermelho que se armara no campus, o da leitura. Era notável a falta de interesse da maioria daqueles alunos pelo estudo; beber e especular sobre o “corpo feminino” (ou algo assim), era o que falavam de menos constrangedores, não demorou muito para cair à ficha de que grande parte daquelas pessoas não se ligava muito em ler e construir argumentos mais sólidos para suas idéias, na verdade, seu pensamento era o mais homogêneo e arcaico possível, sua base teórica era mais risível que interpretar a comunicação dos delfins. Achei por bem, ler tudo o que constava no “Index Librorum” das universidades, li por prazer, sem fins ideológicos nem nada, achava maior barato passear pela América do Tocqueville, e até mesmo pela Alemanha de Marx, mas subitamente comecei a perceber que ao me redor pessoas olhavam para mim como a um leproso, não é exagero, puxar conversa com novas pessoas era uma dificuldade hercúlea. Comecei a pensar a respeito, tentar entender o tipo de pensamento que permeava os cadernos e cabeças do alunato, encontrei pistas, leves indícios, que permitiram que eu tivesse maior vislumbre do mosaico doutrinário que borrava minha visão de estudioso social.

Sabe aquele pessoal que vestiam blusas do Che Guevara? Pois é, não sei como não percebi de cara, as respostas estavam ali o tempo todo, Gramsci, Foucault, Sartre, Marx e etc. Estava tudo ali, na minha frente! Como não percebi que falar que é contra o aborto ou a favor do livre mercado em uma aula de Ciências Políticas, era um atestado de morte dentro do campus? Mais tonto que um militante, era o que estava sendo até então, não achava que ser livre era estar dentro da idéia do que os outros acham que é liberdade, ou pior, do que uma minoria achava o que era ser livre.

A partir disso, não me incomodava com essa realidade, tornei minha vida acadêmica a menos panfletária possível, no início era uma coisa de responder no instante, depois entendi que a reflexão era bem mais eficaz. O grande problema, nesse sentido, das universidades, é a pregação de uma ideologia dada como certa e livre de erros ou discussão, a influenza da esquerda dentro das salas de aula é nítida, do discurso do professor ao comentário nas redes sociais, pensar fora desse aquário sujo de vermelho é um trabalho e tanto, não falo pelo ato de pensar, mas pelo de expressão, a realidade é clara, ser a contra aos ursos do Pólo Norte ou os índios do Pará é decretar uma situação de tensão dentro da universidade. O pensamento é vigiado, cerceado e enquadrado mediante o desejo daqueles que tem um megafone na mão. A luta do pensamento público, não é mais uma luta de argumentos, mas de números, quem agrupar mais gente vence, e acabou.

Sabe aquele filme: Invasores de Corpos? Pois bem, imagine a universidade como aquela cidade; velha, deteriorada e infestada por de seres extraterrestres (pense neles como o pensamento hegemônico de esquerda). Você e seus amigos entram pela primeira vez na cidade para fins únicos, passar algumas noites e se divertir, mas pouco a pouco seus amigos vão ficando cada vez mais estranhos e você começa a sentir uma diferença, suas conversas e pensamentos parecem um tanto esquisitos, suas reações às coisas rotineiras são assustadoras e suas posições acerca de alguns assuntos parece beirarem a demência. De repente, você percebe que eles estão sendo controlados por uma “força maior”, e se você vacilar vai virar um deles, não se sabe como acontece logo, todo cuidado é pouco. Imagine-se como um eterno vigilante, assegurando que cada porta foi trancada e que ninguém está lá fora... Um dia, cansando de ficar vigiando, resolve então visitar a biblioteca da casa, pega um livro qualquer e começa a pajear e ao decorrer de cada folha seus olhos vão se tornando mais escuros, sua voz mais rouca e seu pêlo mais espesso, a leitura finda, você caminha, abre a porta e debaixo do braço carrega consigo o livro estranho, os “contaminados” correm para perto de você, param em seguida, você levanta o livro e urra: Viva Che Guevara!
Imaginem-se em meu lugar... Ainda estou vigiando.


 Fábio Renan
Fábio Renan.

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