quinta-feira, 23 de maio de 2013

Ataque em Londres lembra ação de irmãos em Boston


22/05/2013
 às 22:45


Homem é filmado ainda com faca ensanguentada nas mãos, depois de ataque a soldado em Woolwich, Londres – Reprodução/ITV

Pouco mais de um mês depois de dois irmãos chechenos matarem três pessoas e aleijarem dezenas num atentado a bomba na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, um tipo semelhante de barbárie horrorizou os britânicos – e o mundo – nesta quarta-feira. Um soldado foi destroçado com uma machete, perto de um quartel em Woolwich, no sul de Londres, por dois homens que dizem ter agido em nome do Islã. Os dois responsáveis pelo ataque na capital britânica parecem ser, assim como os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, aquilo que os especialistas em segurança têm chamado de ‘lobos solitários’: fanáticos que não estão no radar dos serviços de inteligência porque não pertencem a nenhum grupo terrorista conhecido, embora sejam movidos pelo mesmo ódio. Logo depois da selvageria, ainda com sangue nas mãos, um deles foi filmado dizendo: “Nós juramos por Alá que nunca pararemos de lutar contra vocês. A única razão pela qual fizemos isso é porque muçulmanos estão morrendo todos os dias”.
Para o jornal britânico The Guardian, o fato de não haver um elo visível e imediato entre os responsáveis pela barbárie desta quarta e grupos terroristas não significa que a ligação não exista. As frases usadas pelo terrorista nesta quarta é a mesma encontrada na retórica da Al Qaeda, verificada em vídeos gravados por homens-bomba. As dificuldades enfrentadas pelas equipes de contraterrorismo na atualidade é a fragmentação da Al Qaeda, dando origem a ‘franquias’ espalhadas pelo mundo árabe e pela África, o que torna a identificação de suspeitos mais difícil do que nunca. Um estudo divulgado no ano passado pelo Royal United Services Institute apontou que terroristas que atuam como ‘lobos solitários’ voltariam à Grã-Bretanha nos próximos anos. Eles são treinados em campos no Paquistão e adquirem experiência em guerras na Somália, no Iêmen, na Nigéria e no permanente conflito no Iraque. E usam rotas muito mais difíceis de ser monitoradas.
Num primeiro momento, o governo evitou classificar o ato como terrorista, apesar de o termo já ter sido usado desde o início pelo primeiro-ministro David Cameron. “Eu fui informado pelo Ministério do Interior sobre esse ato repugnante em Woolwich. Estamos investigando o caso, mas há fortes indícios de que se trata de um incidente terrorista”. A secretária do Interior, Theresa May, também mencionou uma “forte indicação” de que o caso está ligado ao terror. “O que aconteceu hoje em Woolwich foi um ataque repugnante e selvagem. A polícia e o serviço de segurança estão apurando os fatos desse caso bárbaro, mas há um forte indício de que foi um ato de terrorismo”. Ela acrescentou que a segurança foi reforçada nos quartéis de Londres. “Esse foi um ataque contra todos na Grã-Bretanha e será condenado pelas pessoas de todas as comunidades. Nós já vimos o terrorismo nas ruas da Grã-Bretanha anteriormente e estivemos sempre firmes contra isso. Atos desprezíveis como este não ficarão impunes”.
O presidente francês, François Hollande, também mencionou o terrorismo ao falar sobre o caso, ao lado de Cameron, que visitou Paris nesta quarta. Ele disse que os governos “devem lutar contra o terrorismo em todos os lugares”. “Isso exige que nossos serviços de inteligência trabalhem juntos e que atuemos em todos os lugares que pudermos”, completou. Cameron voltará a Londres na noite desta quarta e vai coordenar outra reunião do comitê de emergência na manhã desta quinta.
Muçulmanos
O Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha divulgou um comunicado no qual afasta qualquer ligação do ataque com o Islã. “Este foi um ato verdadeiramente bárbaro que não tem base no Islã e o condenamos de forma incondicional. Nossos pensamentos estão com a vítima e seus familiares. Entendemos que a vítima é um membro das Forças Armadas. Os muçulmanos servem há muito tempo as Forças Armadas deste país, com orgulho e honra. Esse ataque contra um membro das Forças Armadas é infame e nada justifica essa morte. Essa ação vai, sem dúvida, aumentar a tensão nas ruas da Grã-Bretanha. Pedimos a todas as comunidades, muçulmanas ou não, a se unirem em solidariedade, para impedir que as forças do órdio prevaleçam”, diz o texto, segundo o jornal britânico The Telegraph.
Boston
Na última semana, a imprensa americana divulgou que Dzhokhar Tsarnaev deixou uma mensagem no barco em que foi encontrado pela polícia, dias depois do atentado em Boston. Na mensagem, ele reafirma que as vítimas do ataque foram “danos colaterais”, da mesma forma que inocentes morreram nas guerras dos EUA ao redor do mundo. “Quando você ataca um muçulmano, você ataca todos os muçulmanos”. Discurso idêntico ao adotado pelo responsável pelo ataque em Londres. O atentado em Boston deixou três mortos e mais de 260 feridos – muitos perderam membros e enfrentarão longos e dolorosos tratamentos.
Por Reinaldo Azevedo
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