segunda-feira, 10 de junho de 2013

Estorinha abortista surreal: uma síndrome de Estocolmo ideológica


por: Leonardo Oliveira

O Estatuto do Nascituro, lei que visa proteger a dignidade das crianças no ventre da mãe,  aprovado pela câmara dos deputados, causou escândalo em certos núcleos abortistas, já que não conseguem visualizar a humanidade do feto e do embrião. Os argumentos surrados já são conhecidos: o nascituro não é um ser humano. O nascituro não tem consciência. O nascituro é um conjunto de células. As três premissas, além de serem anticientíficas, são ilógicas do ponto de vista filosófico. Se o nascituro não fosse um ser humano, seria o que? O bebê de Rosemary? Porque se a vida começa pela fecundação, logo, é evidente que a humanidade já começa a partir daí. Pois a vida do homem é um processo, que tem início no ventre da mãe e termina com a morte. Afirmar que o nascituro é um ser humano em potencial implica uma falha lógica de raciocínio. O feto é um ser humano em ato, dentro de um processo de existência. Como é ser humano em ato um recém-nascido, uma criança, um adolescente, um adulto, um velho e até um morto. 

Há a falácia da falta de consciência. Se a humanidade de alguém se define pela "consciência", Hitler estaria feliz no seu programa de eutanásia. Milhares de alemães, entre 1939 a 1941, foram assassinados pelo programa de extermínio dos débeis mentais e incapazes. Se o louco não tem mais as faculdades de pensar ou captar a realidade, por que não eliminá-lo? Por que não esvaziar os manicômios de problemas e custos desncessários, para criar a linda sociedade racialmente perfeita? Ainda não entendi por que as feministas se sentem ultrajadas quando são chamadas de "feminazis"?! 

Eis outra pérola da propaganda abortista pregada ad nauseam por nulidades intelectuais como o professor da PUC Leonardo Sakamoto e a dublê de escritora Clara Averbruck: os nascituros não passam de um composto de células! Na verdade, somos amontoados de células a vida inteira. Dentro dessa perspectiva, teríamos pleno direito de matar o Sakamoto e a Clara Overbruck agora mesmo!  Chego a concluir que os únicos amotoados de células sem consciência e sem humanidade são os próprios abortistas! Não seria lícito "abortá-los" na fase adulta também? 

Todavia, a esquerda agora inventou uma nova moda publicitária: divulgar relatos de pessoas com síndrome de Estocolmo para justificar suas causas. Recentemente comentei o caso de uma jornalista que foi estuprada por um menor, mas que não defendia a diminuição da maioridade penal. Ela publicou um artigo inocentando o  violador, porque ele era coitadinho, vítima da sociedade.  Invertendo a lógica da culpa, ela responsabilizou essa entidade abstrata chamada "sociedade" pelo estupro. Ou seja, a culpa do estuprador existir não é consequência deliberada de sua crueldade, de sua escolha em possuir violentamente e sem escrúpulos uma mulher , mas sim da "sociedade", leia-se, da própria mulher estuprada e de outras milhões de mulheres honestas. A exposição de articulista, de tão esquizofrênica, é presumivel que seja inventada. Mas se não for inventada, essa jornalista faz um completo desserviço à mulher. Ela legitimou o estupro de mais mulheres inocentes. E de maneira covarde, na época do crime fugiu do país, para só depois de muito tempo pregar algo que é contra todas as mulheres. 

Se não bastasse um artigo vergonhoso onde a mulher agradece pela violência sexual sofrida, há outra publicação que é a apologia do suicídio, por assim dizer, "retroativo". No blog de uma tal "Olga", escrita por uma jornalista chamada Juliana de Faria, foi publicado um artigo chamado "Sou fruto de estupro e a favor do aborto", datado do dia 07 de junho de 2013. O título mais sugestivo poderia ser "Sou fruto do estupro e quero me matar". É  história de uma gerente de vendas, identificada como Cláudia Salgado, que nasceu do estupro sofrido pela mãe. As feministas agora querem envergar justificativas morais para os filhos do estupro se matarem. Tal é a "amizade" das feministas com as crianças. Tal é o amor que as feministas têm pela vida. 
Lembremos que o depoente do caso é uma mulher adulta. Ou seja, o "blog da Olga" afirma, claramente que essa jovem deveria ter morrido ou nem deveria existir para dar o seu relato. O conceito da "dignidade da mulher" aqui é bastante seletivo. O disparate do artigo já começa pelo início: 

"Claudia Salgado, 28 anos, gerente de varejo, fala de forma corajosa sobre a ilegalidade do aborto e suas consequências absurdas. Um viés humano e sincero nesse momento em que se debate o projeto de lei do nascituro".

Alguém já viu coisa mais bizarra do que alguém achar que é "coragem" defender a própria morte? Mesmo que essa mulher, filha de um caso de estupro, seja completamente inocente? Onde estarão os direitos dessa mulher vítima de uma adversidade? Qual é a resposta que o Blog da Olga dá para essa jovem? Morra! Ou simplesmente não exista!  Dona Cláudia, pelo simples fato de viver, é uma "consequência absurda" da ilegalidade do aborto! 

Se a história abaixo é verídica ou não, no mínimo, a conclusão a que se chega é monstruosa: 

"Minha mãe tinha 18 anos na época em que foi estuprada. Ela não foi a única que sofreu este tipo de violência na família: tenho uma tia que também foi humilhada e estuprada por mais de um homem, mas não teve frutos disso, a não ser o trauma e a vida quebrada.

Somos de uma cidade muito pequena no interior de Santa Catarina. Ela havia saído com minha tia para dançar em uma matinê e, quando voltou para casa, sofreu agressão física muito brutal do avô, que era militar e muito rigído com regras e com relação às filhas saírem de casa. A família era muito grande – eram 5 filhas no total – e havia muita preocupação com relação as filhas ficarem mal faladas.

Estou abrindo isso para mostrar como ignorância só gera ignorância. Meu avô não é má pessoa, mas ele era alcoólatra e muito severo com as meninas.

Minha mãe ficou desesperada depois da surra que tomou e decidiu fugir de casa com minha tia. As duas estavam muito machucadas e vulneráveis e se sentaram desoladas nas escadarias da Catedral no centro da cidade, onde estes dois homens se aproximaram de forma amigável e ofereceram amparo. Elas inocentemente aceitaram e foram passar a noite na casa deles, onde haviam mais homens. Foi quando toda a violência física ocorreu. Minha tia era mais forte e conseguiu fugir, mas minha mãe não conseguiu e foi violentada por mais de um homem. Somos tão parecidas fisicamente que ela mesmo lamenta o fato de nem sequer saber qual deles é meu pai.

Naquela época as coisas não eram bem explicadas – em sua maioria, eram omitidas. Minha mãe não contou a ninguém o ocorrido, pois, além da vergonha, ela ainda se sentia mortificada de medo de que não acreditassem nela. Ela era tão inocente que nem sabia que estava grávida, nem foi atrás de justiça, apenas se fechou. E quando a barriga ficou impossível de disfarçar, ela não pôde mais negar e outra vez passou por mais humilhação. Teve que sair de casa às pressas, pois meu avô queria matá-la. Eu não acho que, para ela, seguir a gravidez foi uma escolha, ela não entendia o que estava acontecendo e só teve essa opção.

Essa história afetou minha vida e a relação com a minha mãe por muitas razões. Ela não tinha a menor estrutura emocional de ter um filho sob aquelas condições e naquela idade. E eu nunca me senti desejada. Minha infância ficou quebrada e minha vida, incompleta. Só soube dessa história quando tinha 11 anos. Até então, ela dizia que meu pai havia morrido num acidente enquanto ela estava grávida, o que eu sempre achei estranho, pois nunca havia visto uma foto ou algum registro de que ele realmente existira.

Minha infância ficou incompleta porque me faltou a figura paterna, minha mãe era instável emocionalmente, me senti enganada e não consegui assimilar quando ela me contou a minha origem. Me sentia humilhada quando via minhas amigas com seus pais num lar ajustado".

E depois da história, o blog da Olga destaca as conclusões da jovem: 

“Acho muito mais digno interromper uma gravidez indesejada do que colocar uma criança no mundo para sofrer e passar necessidades. Hoje não sinto a menor vontade de ser mãe. Não acredito que poderei ser boa o suficiente” – Cláudia Salgado. (Reprodução – OLGA)"

Ou seja, Cláudia acharia muito digno que sua mãe a matasse, porque não queria sofrer e passar necessidades. Partindo deste princípio, a humanidade inteira deixaria de existir, já que todos os seres humanos passam algum tipo de necessidade. Os seres humanos precisam comer, amar, trabalhar, fazer amor e também sofrer, nem que seja para amadurecer. A necessidade faz parte da vida humana. Só uma pessoa muito problemática ou muito fraca para se recusar à vida por medo do sofrimento ou da necessidade. Essa pessoa, na prática, tem medo de viver. 

Conclui-se que a patacoada feminista demonstra um profundo ódio pela vida em geral. Mas de uma coisa não se pode negar: a pessoa mais corajosa dessa história é a mãe da jovem ingrata. A mulher estuprada, que sacrificando a si mesma, deu a luz a uma inocente. 

Cláudia Salgado deveria aprender com sua mãe como é, de fato, ser mãe. Ela foi mãe até no momento de adversidade, humilhação e violência. Ela colocou a vida de sua filha em primeiro lugar. 
Entretanto, as conclusões da jovem são distorcidas: 

"Sentia raiva da minha mãe porque ela me teve sem ter me desejado, embora existisse o respeito por saber que ela nunca deixou nada me faltar e sempre fez o possível para que eu crescesse com dignidade, tivesse uma boa educação e nada me faltasse".

Se a mãe não quisesse totalmente esse filho, poderia ter abortado. A voluntariedade implica escolhas no âmbito também da adversidade. Sem dúvida a mulher estuprada foi vítima de uma situação indesejada, a de ser violada. Contudo, o fato de ela ter escolhido gerar seu filho implica um desejo de conceber em detrimento de abortar. Ela poderia também ter abandonado a criança recém-nascida ou dado para outra família adotar. Mas não o fez. Ou seja, a escolha da mãe não foi totalmente indesejada. A filha só está fazendo esse depoimento confuso, contraditório, porque sua mãe a desejou que vivesse e fosse bem cuidada. Tudo que a jovenzinha demonstra é profunda ingratidão para aderir aos seus brios narcísicos feministas. Os brios narcísicos "feministas" da morte e do suicídio. 

"Sempre tive o sentimento de que ela se importava comigo, mas não me amava… E até hoje tenho este sentimento, mas hoje é mais compreensível porque, com o tempo, adquiri maturidade para entender o quanto isso foi danoso e o quanto deve ter sido difícil para ela ter que conviver com o fantasma de um ato bárbaro. É muito difícil lidar com a dor da rejeição, ela nos deixa realmente miseráveis…"

Depoimento estranhíssimo. A mãe não deixa nada faltar, faz o possível para que ela cresça com dignidade e depois a filha acredita mesmo que não foi amada? A mãe é "instável emocionalmente", porém, faz de tudo pela filha. E desde quando uma famíla "incompleta" justifica matar os filhos? Não existem famílias perfeitas. Porém, a jornalista Juliana de Faria, ao publicar esse relato em seu blog, endossa o seguinte argumento: para que crianças problemáticas não existam, é necessário matá-las pela raiz. Cláudia Salgado foi uma criança cuja origem foi "problemática" e, logo, ela deveria ter morrido. Eis a conclusão aberrante a que se chega com o relato da jovem, publicada pela jornalista feminista. 

"Não sei se cabe dizer que ela poderia ter escolhido interromper a gravidez, pois acredito que ela nem se quer sabia que isso era possível naquela altura. E também sei que no fundo ela não se arrependeu, porque não fui uma filha ruim e nunca dei trabalho ou fiz algo que pudesse fazer com que ela se arrependesse de eu ter nascido. Pelo contrário, minha chegada na família foi recebida com muito amor, inclusive meu avô aceitou e foi um pai para mim. Quem me criou foram meus avós, minha mãe teve mais um papel de provedora, pois sempre trabalhou muito para garantir que nada me faltasse".


Confissão prolixa, sem pé nem cabeça. Se a jovem não deu problemas a ninguém e se a mãe aceitou que ela vivesse, incluso com o apoio de sua família, qual é o mal das crianças "frutos do estupro" viverem? Uma hora, o avô era um tirano bêbado dentro de casa e outra hora é um avô amoroso. A família é quase sempre retratada por um universo opressivo, caricatural e estereotipado. Se Juliana de Faria queria justificar uma razão moral favorável ao aborto dos "frutos" da violência sexual, acabou por dar um tiro no pé. Demonstrou ser uma mulher perversa e maliciosa, ao expor uma jovem, que aparentemente tem pensamentos  genuinamente suicidas, para um tipo de propaganda desse nível. 


O recado que aprendemos com a jornalista Juliana de Faria é: as mulheres filhas de estupro são "submulheres", não devem existir. Elas são degeneradas por natureza e o melhor lugar pra elas é a lata do lixo hospitalar. O feminismo militante está manipulando a fragilidade das mulheres. Agora elas têm síndrome de Estocolmo. Ou pior, a síndrome de Estocolmo está sendo racionalizada numa ideologia. 

Não tenho a menor dúvida: o feminismo é o inimigo maior da mulher.

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