sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O erro do ENEM sobre a África



Os erros africanos:


O ERRO DO ENEM SOBRE A ÁFRICA

Quem quiser entrar na faculdade é obrigado a concordar, na prova do Enem, que a África é hoje um continente pobre e caótico por uma razão principal: as fronteiras artificiais criadas pelos europeus, no fim do século 19. Numa questão do Enem de 2005, a resposta correta dizia que 2005, “as fronteiras artificiais, criadas no contexto do colonialismo, após os processos de independência, fizeram da África um continente marcado por guerras civis, golpes de estado e conflitos étnicos e religiosos”.


Esse é um raciocínio obsoleto. Há 30 anos historiadores e economistas africanos deixaram de acreditar nele. “No começo dos anos 1980, os africanos estavam fartos da ladainha do colonialismo/imperialismo e da recusa de seus líderes a assumir a culpa por seu próprio fracasso”, diz o economista George Ayittey, de Gana. 

O que destruiu a África não foram os europeus, mas ideias europeias – equivocadas ideias europeias. Os homens que lideraram a África independente se entusiasmavam com a crença de que a política poderia resolver problemas econômicos. Apostaram no dirigismo estatal, criaram gigantescas empresas públicas, fecharam partidos e jornais, nacionalizaram bancos e companhias privadas, confiscaram propriedades para criar fazendas coletivas. Eliminaram assim o básico necessário para a prosperidade: paz, ordem, segurança de propriedade e previsibilidade econômica. Sem esses fatores, investidores têm medo de investir, empresários não empreendem, o dinheiro foge para outro lugar. Com graus diferentes de repressão e trapalhadas econômicas, 18 dos 30 mais populosos países africanos viraram ditaduras socialistas civis ou militares. 

Quando é que uma prova do Enem vai falar sobre isso?


por:  Leandro Narloch 

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