segunda-feira, 18 de julho de 2016

A farsa pueril chamada Teologia da Missão Integral




Marx trata do “acúmulo” como a concepção da cobiça, o chamado Fetichismo [1].Vejo cristãos divulgando o mesmo no Brasil. Assim como Ariovaldo Ramos traz a perspectiva da “Luta de Classes”, ele esquece que a concepção “opressor x oprimido” é uma relação das mais pueris de ódio a outrem. Tomar o poder, apropriando-se das riquezas alheias, enfraquecendo e desapropriando os bens da burguesia, não se faz sem violência. Marx tratava da guerra do proletariado (o trabalhador operário comum) x a burguesia (que ascendia ao poder na época deixando o antigo sistema feudal), com a implantação da “ditadura proletária”. Era o processo do totalitarismo Estatal em detrimento do indivíduo e nome da “igualdade” marxista. Desse modo, como descrevera, seria a implantação total do estado sobre o homem ou a religião, sobre o indivíduo ou sua propriedade, com a tomada do poder proletário, tratado no livro – O manifesto do partido comunista [2].Para Marx, o mundo vivia essa guerra como descrita pelo pr. “Ari”, muito visível hoje no Brasil.  Posteriormente, Engels trata do autoritarismo estatal sobre todas as esferas sociais:
  • Quando já não existir nenhuma classe social que precise ser submetida; quando desaparecerem, juntamente com a dominação de classe, juntamente com a luta pela existência individual, engendrada pela atual anarquia da produção, os choques e os excessos resultantes dessa luta, nada mais haverá para reprimir, nem haverá necessidade, portanto, dessa força especial de repressão que é o Estado. O primeiro ato em que o Estado se manifesta efetivamente como representante de toda a sociedade – a posse dos meios de produção em nome da sociedade – é ao mesmo tempo o seu último ato independente como Estado.[3]
Ariolvado, filiado ao MEP – Movimento Evangélico Progressista, tem cunho aberto e prática de todos os cristãos envolvidos em partidos de esquerda, assim como uma ex-integrante, Maya Félix, que filiada ao PC do B, dizia ter ideias tão radicais quanto os próprios marxistas sobre o evangelho no país. Vejam o depoimento dela
  • Maya Felix: No MEP eu conheci pessoas do PT, pastores de esquerda, evangélicos de esquerda, o bispo Robinson Cavalcanti, Marina Silva, Ariovaldo Ramos e a Visão Mundial, o pastor Júlio Borges Filho, da Igreja Cristã de Brasília, que era filiado ao PT também e depois foi assessor do Wasny,Geter Borges, que tinha acabado de chegar da Bahia (salvo engano, acho que ele é da Bahia) para presidir o MEP, a pastora Maria Elisabeth,  a Betinha, na época assessora do deputado distrital do PT Wasny de Roure.
  • Maya Felix: (O MEP tem ligação com o PT?) Total! O MEP nasceu para ser o braço evangélico do PT. Trata-se de uma disputa ideológica por hegemonia muito clara. O MEP era também ligado ao CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). Na verdade, tudo girava em torno de política, de eleições, de conscientização. O MEP deveria ir às igrejas, falar do projeto da esquerda para os cristãos e, sobretudo, divulgar os candidatos evangélicos do PT e unir os evangélicos de esquerda em torno de um projeto comum. Na época, o projeto comum era a eleição do Lula, que era muito mal visto na maioria das igrejas. Cheguei a organizar uma reunião do MEP na Igreja Assembleia de Deus Um Novo Dia, em Brasília, da qual fui membro até 2004, quando me mudei para São Luis. A Marina Silva, na época do PT, proferia palestras no MEP, e depois se tornou membro da Assembleia de Deus um Novo Dia (não sei se ela já era membro em 2001, quando fui para a AD Um Novo Dia). O Ariovaldo Ramos também proferia palestras, divulgava a Visão Mundial e seus projetos. O Robinson Cavalcanti também, assisti a algumas palestras suas. Outra pessoa bastante admirada no MEP é o teólogo Paul Freston, que escreveu “Marxismo e Fé Cristã: o Desafio Mútuo”, editado pela ABU editora (até hoje tenho este livro). O Caio Fábio, antes do escândalo que envolveu sua queda e a decadência da Vinde (com a qual eu contribuía, aliás. Também assinava a revista, tinha a carteirinha etc.), era muito admirado por lá, não sei hoje. (Nota de Julio Severo: Depois da queda de Caio Fábio na década de 1990, o MEP continuou o apoiando. Aliás, numa conferência do MEP realizada no Congresso Nacional sobre ética cristã em 2004, o principal palestrante foi Caio Fábio. O registro da conferência está neste link: http://bit.ly/1aTuB6Y) O Ricardo Gondim, idem. [4]
Quando vir classes lutando por si mesmas, como acontece muito no Brasil hoje em dia, é exatamente essa chamada guerra de classes. Nordestinos sendo jogados contra sulistas, pobres x ricos, brancos x negros. Como se vê, Ariovaldo Ramos tem muita dificuldade de conceber o mundo à luz da bíblia. As escrituras nos falam de um homem caído, pérfido, muito antes de Marx falar suas bobagens. Jó era um homem com muitas propriedade, mas temente a Deus e homem reto. Abraão, pai da fé, idem. O profeta Jeremias salvou o povo judeu através das propriedades que possuía. Regular o indivíduo pelo seu ‘pré-crime’, ou seja, ele, como Marx denunciara, cobiça pelo acúmulo de bens e o lucro [5], parece-me mais com esse texto, em que Judas diz: “Por que não gastar esse (nardo) presente com os pobres”? Dialeticamente, todos os adeptos da Missão Integral entram pelo ralo marxista. Aliás, se temos os cabeças provando isso, como Ed. René Kivitz, Ariovaldo Ramos, René Padilha, entre outros, então qual a moral dessa gente? Padilha chega a dizer que são como os “profetas que condenam a cobiça, avareza” – e que, sim, há coisas boas no marxismo, como a condenação da avareza, em entrevista à Faculdade Sulamericana de Londrina(disponível no youtube). Oras, ‘seu’ Padilha, a bíblia não trata apenas da avareza, ou dos pobres. O Marxismo não quer condenar a avareza, mas destruir o indivíduo. Ariovaldo Ramos talvez o pior destes: declarava sua admiração pelo falecido megalomaníaco e ditador, Hugo Chavez, a quem chamava de “o grande líder latino-americano” [6].

Encontro entre Ariovaldo Ramos e Hugo Chavez
Se Ariovaldo Ramos quer separar classes e chamar quem tem bens de “rico opressor”, já falhou no evangelho. O Senhor Jesus nos ensina a doar em segredo, orar ao Pai em segredo. Ele nos ensina que se fizermos algo corretamente, somos apenas ‘servos inúteis’, pois fazemos apenas o que nos é mandado (Lucas 17:7). Todos os movimentos ligados ao PT e ao seu plano de poder exercem exatamente aLuta de Classes – a concepção humana de guerra entre ricos x pobres, pretos x brancos, homossexuais x héteros, religiosos x ateus. Só visualizar a violência, a fiscalização alheia, a incitação à cobiça dos bens alheios, que claramente representam transgressões bíblicas. Incentivar indivíduos à prática de violência, invasões, depredações, cobiça de bens, é antibíblico. O Foro de São Paulo e a política pueril de gênero para todas as escolas não são contra o evangelho, senhor “Ari”? Não há busca de justiça pelo Estado e para o Estado no Reino de Deus. Qualquer concepção divina através do Estado já é um erro crasso, pois não devemos esperar ou depender dele como fonte de Justiça. Se o Senhor Jesus nos diz que devemos buscar primeiro Seu Reino e Sua justiça (Mt 6.33), então perceberemos que graça e misericórdia se estendem sobre todos, pois éramosmerecedores da morte e do inferno. Quando der esmolas, não fique propagando a todos, muito menos dizendo que é superior a outros por isso.
Por: Leandro Souza
Referências:
1. MARX, Karl. O Capital, Capítulo I, Seção 4.
2. ENGELS, Frederic. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Cientifico III – O Materialismo Histórico.
3.Manifesto do Partido Comunista  – Karl Marx e Friederich Engels
5. Karl Marx, O Capital, Volume I, Parte III, Capítulo VII, Processo de Trabalho e Processo de Produção de Mais Valia, Secção 2, O Processo de Produção de Mais Valia.

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