quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Soma dos vagabundos x verdadeiros trabalhadores


Há um ano, mais ou menos, acordei cedo, como de costume, para ir para mais um dia de trabalho na escola na qual leciono Língua Portuguesa. Depois de me aprontar, tomar meu café e executar minhas higienes, fui ao ponto de ônibus pegar a linha 638 em direção à Campinas. Parecia mais um dia comum, estava frio, ventando muito e o sol brilhava fraco entre nuvens; mas aquele não era um dia comum.
Justamente naquela manhã de sexta-feira, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, os quais invadiram a conhecida como Vila Soma de Sumaré, fecharam duas saídas da cidade – que maravilha! Por causa disso fiquei com os outros passageiros dentro do ônibus sem ter como chegar ao trabalho. Alguns saíram do veículo e voltaram a pé até a rodoviária para pegar uma linha que ia ao mesmo lugar por outro percurso, outros conseguiram carona. Mas eu fiquei ali e pude notar uma coisa: A população trabalhadora – de verdade – repudia as ações desses grupos militantes.
A classe trabalhadora dentro daquele ônibus não concordou com a maneira como os Sem-Teto se manifestavam. E não é só isso, os verdadeiros trabalhadores demonstraram que sabem que nada na vida vem de graça. Sabem que para se conseguir um bom lugar para morar e ter dignidade é preciso trabalhar muito por isso, merecer; eles sabem que o Estado nada faz por eles – só toma o que é deles por meio de impostos –, quem traz o sustento e o crescimento é o suor de quem trabalha. Isso eu pude ver e foi lindo: a “classe média fascista reacionária” que anda de transporte público bramando ferozmente contra um bando de vagabundos pagos pelo Partido dos Trabalhadores – que ironia linda, meu Deus! – para reivindicar o que é dos outros, conquistado com tanto esforço e trabalho. Só faltou uma tropa de choque chegando ao local para deixar meu dia mais feliz – pena que não aconteceu.
No fim da história, esperei até que os manifestantes liberassem as vias. Cheguei atrasado ao trabalho, mas cheguei feliz, pois vi a verdadeira força do povo trabalhador, não aquele teatrinho montado por um partido de vagabundos, mas a força de quem realmente luta por uma vida digna. Naquele dia, eu vi o verdadeiro povo brasileiro.

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