sexta-feira, 15 de julho de 2016

Comentários sobre Capitão América – Guerra Civil

Depois de assistir Capitão América – Guerra Civil, fiquei ansioso para escrever alguns comentários sobre o filme aqui no site, fui deixando para depois e depois… mas aqui está, ei-los.
Eu gostei do filme, achei divertidíssimo, porém não é nem de longe o filme mais sombrio da Marvel, como pensavam os nerds especuladores da internet. Também não tem a carga dramática e consequências grandes como na HQ Guerra Civil. Isto me deixou um pouco frustrado.
A carga política, que é o ponto central da HQ, foi deixada um pouco de lado, em segundo plano, e isso se deve ao personagem – totalmente desnecessário – Zemo, enfiado na história para ser ignição e jogar lenha nas chamas da guerra. O que na história original tratava sobre liberdade, limites do governo e coisas assim, no filme foi mais uma briga besta para caçar o Bucky Barnes que cometeu terrorismo após lavagem cerebral em experimentos socialistas – eles são mestres em lavagem cerebral. A questão sobre o controle governamental e direito à defesa do cidadão fica ao fundo, bem ao fundo. A bagunça no enredo original foi tanta que no terceiro ato o Homem de Ferro e o Capitão América já nem estão brigando mais por quem é a favor ou contra o governo.
Não me venha dizer que esse tipo de discussão seria muito adulto e o filme perderia público por isso, pois os quadrinhos são escritos de maneira genial sobre isso, com diálogos extremamente simples discutem cada lado do conflito. Usa-se até palavras quais no filme nem aparecem – a fim de deixar o filme mais adulto – como chamar os Vingadores de “super-heróis que combatem o crime”, entre outras palavras que fazem parte do léxico de histórias em quadrinhos infanto-juvenis.
Uma última coisa que eu gostaria de comentar brevemente é sobre a diferença de convicções entre o Capitão América e o Homem de Ferro. Mais uma vez o filme não explorou isso tão bem quanto o gibi. Se observarmos, Steve Rogers, o Capitão América, acredita na liberdade como maneira de conservar um importante valor da cultura americana; acredita no direito do indivíduo defender sua casa, comunidade e país, sabendo que estado é insuficiente para tal; acredita que o estado deve ter seus limites, senão se torna semelhante às ditaduras que combateu no passado. Steve é um conservador. Em contra ponto, Tony Stark, o Homem de Ferro, assemelha-se muito aos liberais e libertários que temos em nosso Brasil. Stark, que em alguns momentos rejeita o governo em nome apenas de sua própria liberdade, em outros se une a ele com alguma ideia típica de governos globalistas.
Enfim, o filme é um ótimo divertimento para a família, muito engraçado, passa alguns valores e tem cenas de ação de encher os olhos. Entretanto, se você quer ter uma experiência mais profunda neste conflito de ideais dos personagens – além de ter também o divertimento –, sugiro que leia a HQ, nem precisa ler as histórias paralelas do arco Guerra Civil, somente a principal é suficiente.

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