quinta-feira, 14 de julho de 2016

Jovens metidos a espertos, Literatura e Paulo Freire

Certo dia, deparei-me com um canal no YouTube no qual um garoto fala sobre livros, faz resenhas, críticas, etc.  e no canal havia links para contato do garoto, inclusive o do seu perfil no site Skoob. E, curioso, fui eu até a rede social de leitores para ver o que esse garoto lê e o que ele avalia como bom em sua estante.
A maioria dos livros que o tal youtuber lê e classifica com 4 ou 5 estrelas (nota máxima), no Skoob, está entre sagas da moda e romances adolescentes rasos. Quero deixar claro que não vejo problemas em ler tais coisas de vez em quando para se distrair. Mas o importante da questão está por vir: os livros clássicos, consagrados como alta literatura, que o rapaz leu – e são pouquíssimos – estão classificados com 2 estrelas, no máximo.
Mas este fato é só uma amostra do que eu já vinha percebendo nas escolas, como professor. Os jovens não percebem a importância e toda a carga de experiências e poesia que há nos clássicos e se acha crítico suficiente, apenas por ler muitos livros da moda, para sair avaliando obras pelo critério do gosto. Como um rapaz como esse, que não percebe sequer as dimensões de uma obra clássica, pode ter capacidade para fazer críticas literárias?
Vivemos num país que deu aos jovens, através da deturpação da educação, o poder de se acharem críticos e engajados, mesmo que sem bagagem alguma para isso. A escola aos moldes revolucionários de Paulo Freire o fez, ensinando que, desde cedo, eles podem e devem ser questionadores da sociedade e do que quiserem sem, nem ao menos, compreender o objeto que criticam.
Temos palpiteiros demais. Falta é gente que escute e escute os sábios. Imagine agora como o nível cultural do nosso Brasil melhoraria bastante se esses jovens aprendessem desde cedo a buscar conhecimento dos sábios, dos clássicos, para que lá no futuro, quando tiverem maturidade suficiente, possam dar opinião sobre algo, com a precisão de quem percebe a realidade de fato.
Por isso que este é, dentre outros motivos, mais um para acabar com o sistema de ensino vigente comandado pela esquerda. Evitaríamos tanto jovens youtubers,  mergulhados em um mundo paralelo, metidos a críticos literários, como adolescentes maconheiros com desejo de mudar o mundo.

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