segunda-feira, 22 de agosto de 2016

As incoerências do COI em nome do "Politicamente Correto"



O Comitê Olímpico Internacional fará uma reclamação à missão brasileira por conta da faixa "100% Jesus" ostentada por Neymar durante a premiação: "O adereço fere o regulamento do COI, que não permite manifestações de cunho comercial, político ou religioso nos pódios olímpicos".

Corta.

Em 3 de agosto Doaa Elghobashy, atleta egípcia do vôlei de praia, competiu de hijab, um véu que cobre a cabeça e o peito, utilizado por mulheres islâmicas na presença de homens adultos fora do ambiente familiar. Embora não referenciado pelo Corão, a utilização do hijab é prescrita nos hadiths, relatos orais da vida do profeta Maomé, bem como pelo Fiqh, a jurisprudência islâmica. Seu uso está diretamente ligado, portanto, a significados religiosos, já que atende à orientação do profeta de se vestir com privacidade, modéstia e moralidade. A própria atleta declarou: "Eu uso o hijab pois sou muçulmana" (http://noticias.uol.com.br/…/usando-hijab-jogadora-de-volei…). E ela sabe bem com quem está lidando: "O espírito de união internacional dos jogos me dá o direito de atuar com o hijab." (http://www1.folha.uol.com.br/…/1801894-musas-egipcias-bem-c…).

Não houve queixa nem reclamação quanto à isso por parte de nenhum órgão ou autoridade olímpica.
Ibtihaj Muhammad, atleta americana da esgrima que também é muçulmana e também competiu com o hijab, é além de tudo funcionária do Departamento de Estado dos EUA, sendo embaixadora do esporte e servindo à iniciativa “Empoderar mulheres e meninas por meio do esporte” (http://olimpiadas.uol.com.br/…/esgrimista-e-primeira-atleta…).

Não é só uma norte-americana: é uma funcionária do Departamento de Estado que considera a utilização do hijab como "empoderadora".
Tanto o COI quanto a mídia trataram os dois casos de maneira oposta. O hijab da atleta egípcia chegou a ser celebrado como "histórico" (https://esportes.terra.com.br/…/de-veu-e-calca-egipcias-do-…). Uma página feminista com mais de 230 mil seguidores mencionou o fato num post sobre "empoderamento" feminino (https://www.facebook.com/arquivosfemini…/…/1772528739637056…).

Por que a faixa de Neymar na comemoração é tratada como símbolo religioso e opressor, ao passo que a utilização do hijab é tratada como cultural e libertadora?

Perguntem a Marcuse, a Gramsci e aos demais arquitetos do ocaso do Ocidente.

Por Rafael Rosset

0 comentários :