sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Um gesto de amor dos colombianos


Não, esse não é um blogue de futebol, embora todos aqui gostem. É um blogue de política, cultura, sociologia e afins. Mas gostaria de destacar. 



Ouvindo o relato de todos os jornalistas esportivos (brasileiros) na Colômbia, aprendi a amar mais esse país. País que sofreu tanto com os narcoterroristas, conhecido como "terra do tráfico", das FARC, ter um gesto tão lindo, tão profundo, tão solidário. Troquei de canal várias vezes, vi na ESPN, Fox, Sportv, todos eles dizendo que não só foram bem tratados, como viram colombianos chorando, comovidos, abertos a hospedar brasileiros, sendo amáveis e tratando da melhor forma possível aos que estão lá.

Além dos 150 mil presentes no estádio e nas ruas, a educação, o trato, o respeito dos colombianos para com o povo, jornalistas e o futebol brasileiro, foi algo ímpar nesse momento fúnebre.



Vi a libertadores quase inteira. A maioria dos jogos, inclusive jogos dos finalistas. O Atlético Nacional foi de longe o melhor. Talvez apenas Rosário Central (derrotado por eles) e Atlético MG teriam força. Mas o grande Emelec, que tentou de todas as maneiras derrotá-los, fez uma grande final, tida como "apagada" para alguns, por causa falta de tradição de ambos os times.



Vi a entrevista do presidente ao vivo. Juan Carlos de la Cuesta não só sentiu a queda do avião, como chorou ao vivo a perda dos jogadores. Sentiu o lamento de dor. Viu que ali eram vidas, independentes de adversários em campo. Não só disse que daria todo apoio necessário, seja médico, material, ou emocional, como também demonstrou compaixão em meio a algo tão trágico. Será que teríamos tal grande pelos times brasileiros?


Atlético Nacional foi gigante. Não por colocar os torcedores para cantar o hino e palavras carinhosas à Chape. Foi gigante por demonstrar, desde o início, como uma grande equipe se porta. Os torcedores, por si, foram para as ruas cantar canções (lindas, diga-se de passagem) à Chape. Fizeram do seu canto um hino de choro, pois sentiram na pele a morte e a perda dos adversários. 

O povo colombiano demonstrou não só solidariedade, como um sentimento belo de amor ao próximo, visitando a dor de cada família dos mortos nesse terrível acidente, tendo a nobreza das grandes civilizações da humanidade. Um sentimento cristão, belo, uma oportunidade de mostrar carinho a um povo vizinho, no caso, nós brasileiros. 

A Seleção de 82, o Carrossel Holandês, o Atlético Nacional, a Chapecoense. Times que ficaram marcados, não pelas vitórias, mas pela grandeza extra-campo. Fiquei tão tocado pela beleza fora dos campos, por esse gesto tão nobre do povo colombiano, que quis relatá-lo, deixar aqui a imensa alegria ao ver um gesto tão lindo, num momento tão difícil para quem ama futebol.

#ForçaChape

Por: Leandro Souza








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